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OPINIÃO – Exposição Mil Graus é transformadora

As obras vêm de artistas diversos e a intensão é unir tradição e inovação, ancestralidade e futuro

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Por Ana Laura Sarto

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Em cartaz no Sesc Campinas a exposição Mil Graus é mais do que um simples evento artístico, é um convite, a sentir na pele as mudanças e altas de temperatura no Brasil, baseado em um horizonte multidimensional da produção artística contemporânea brasileira. Com a curadoria assinada por Germano Dushá, Thiago de Paula Souza e Ariana Nuala, a mostra traz a 38° edição do tradicional Panorama de Arte Brasileira, criado em 1969, agora com o foco de provocar e questionar com obras modernas.

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O conceito de “calor-limite” dá o tom da itinerância, estamos diante de artes que querem tirar o espectador de seu lugar comum. A ideia de que tudo derrete, desaparece ou se funde é traduzida visivelmente por obras que abordam temas como crise climática, identidade, espiritualidade e violência social. O espaço expositivo, no Galpão 2 do Sesc, ajuda a sustentar essa sensação de intensidade, como se estivéssemos entrando em uma atmosfera de urgência e combustão.

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Dessa maneira, Mil Graus não se comunica em núcleos fechados, mais se conecta por cinco eixos temáticos que funcionam como fios condutores: Ecologia geral, Territórios originários, Chumbo tropical, Corpo-aparelhagem e Transes e travessias. Esses nomes guiam a interpretação e ampliam a leitura das obras, sem limitar a liberdade de circulação. A curadoria prefere não ‘engessar’ a exposição, abrindo espaço para que o público percorra os trabalhos de forma orgânica, sensorial e reflexiva, tornando-se um espaço agradável de visitar.

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As 22 obras presentes vêm de artistas e coletivos diversos, e o contraste entre materiais tecnológicos e naturais revela a proposta do Panorama: unir tradição e inovação, ancestralidade e futuro. Em tempos de aceleração digital e apagamento de cultural, essa escolha estética e política se mostra necessária.

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Um ponto que chama a atenção é o diálogo que algumas obras estabelecem com as tecnologias contemporâneas, e ao mesmo tempo, a presença de elementos orgânicos e ritualísticos que resgatam outras formas de conexão, de tempo e de conhecimento que muitas vezes são esquecidas ou desvalorizadas.

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Mil Graus é sem dúvida um projeto extremamente necessário, por provocar perguntas sobre quem somos, o que nos molda e o que estamos dispostos a transformar. Vale destacar que o Sesc, como instituição, tem um histórico consistente de acolher eventos culturais relevantes e acessíveis algo essencial para democratizar o acesso a arte no Brasil. Portanto, a itinerância, não só apresenta obras, como também cria experiências e provoca mudanças em cada indivíduo, amolecendo limites e criando não apenas reflexão, mas também ação. Porque, como o próprio nome sugere, estamos vivendo tempos de calor extremo, e ignorar esse incêndio simbólico é um verdadeiro erro.

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Algumas obras que podem ser vistas no Sesc Campinas até 31 de agostos (Fotos: Ana Laura Sarto)

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SERVIÇO
O quê: Itinerância do 38º Panorama da Arte Brasileira: Mil graus
Curadoria: Germano Dushá, Thiago de Paula Souza
Quando: até 31 de agosto de 2025
Onde: Sesc Campinas, Campinas – SP
Endereço: Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim
Funcionamento: terça a sexta, das 9h30 às 21h30, e aos finais de semana, das 10h às 18h
Realização: Museu de Arte Moderna de São Paulo e Sesc São Paulo
Mais detalhes: No Instagram

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Orientação e edição: Adauto Molck

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