Petrobras e Unicamp lançam iniciativa para criar startups de energia limpa e impulsionar o empreendedorismo tecnológico
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Por Nicole Heinrich
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A Petrobras assinou uma parceria com a Unicamp para desenvolver novas formas de investir em tecnologia de ponta nacional. O Enfuse pretende criar startups que transformem tecnologia brasileira em produtos e inovação, com foco em energia limpa.
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O reitor da Unicamp, Paulo César Montagner, comentou a relevância do projeto: “É fundamental que a gente crie uma cultura onde essas coisas de fato virem patentes, mas sobretudo não virem patentes de prateleira, virem patentes para serem aplicadas pelas empresas.”
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Atualmente, o Brasil ocupa o 14º lugar no ranking internacional de publicações científicas, mas fechou 2024 em 50º lugar no índice global de inovação. A Unicamp e a Petrobras, ambas entre os quatro maiores produtores de patentes do Brasil em 2024, se uniram frente ao desafio de levar descobertas nacionais dos laboratórios para o mercado.
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No anúncio da parceria, Luciano Rodrigues, pesquisador em inovação na Petrobras, disse que o modo de investir em tecnologia no Brasil precisa mudar. “Geralmente as abordagens são: ah, vamos abrir um hub, construir um prédio, lançar um edital (…) como se, com tijolo, mesa de sinuca, móveis coloridos e um PDF de 15 páginas na internet, a gente conseguisse resolver esse problema.”
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Procurando fomentar o mercado das chamadas hard techs, a Petrobras abriu em 2024 o chamado que deu início ao projeto. O Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO), da Unicamp, foi selecionado para desenvolver o plano, chamado de Enfuse, no período de três anos.
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A primeira etapa, de pesquisa, vai analisar as dificuldades do empreendedorismo tecnológico no país e buscar inspiração em casos de sucesso pelo mundo. Depois, uma metodologia será desenvolvida para identificar e preparar empreendedores. Essas duas etapas são o fator inédito da parceria, que poderá ser replicado em outras áreas do conhecimento. Por fim, os métodos serão postos à prova por meio da criação de startups voltadas para inovação sustentável nos setores de óleo, gás e transição energética.
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Um dos desafios que o projeto pretende contornar é a diáspora acadêmica, também conhecida como “fuga de cérebros”. A dificuldade em manter os pesquisadores trabalhando no Brasil é sentida por toda a comunidade científica.
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Antônio José Roque, diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), acredita que a criação de ecossistemas é a chave para manter pesquisadores e empresas no Brasil. Ele afirma: “A criação de ecossistemas é ainda um desafio para o Brasil (…) a gente tem visto alguns lugares se esforçando. Campinas é um desses lugares (…) Há projetos, inclusive, da própria cidade, como o HIDS, que podem vir a fortalecer esse ecossistema.”
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O HIDS, Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, faz parte de um plano para utilizar áreas de Barão Geraldo destinadas à pesquisa tecnológica. O PIDS é a extensão do projeto e propõe a união da área que abrange do CNPEM ao campus I da PUC-Campinas, em um modelo de urbanismo ecológico. A ideia é atrair mais empresas de alta tecnologia para a região, unindo pesquisa, mercado e sociedade. A proposta não foi votada na Câmara Municipal de Campinas até o momento.
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Roque também explicou a importância de iniciativas como o Enfuse, que conectam a ciência às necessidades do mercado. O físico afirma: “Não é dizer que o objetivo da ciência tem que ser gerar um produto, mas, se ela não tiver esse caminho, ela se fragiliza frente à própria sociedade.”
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Edição: Nicole Heinrich
Orientação: Artur Araujo

