Cultura & Espetáculos
Através de diversos encontros, artista compartilhou suas experiências no mercado do cinema nacional
Por Nicole Gonçalves
“Você não pode apenas esperar pelos aplausos, o que interessa é a busca, a caminhada, o respeito pelo processo”, afirma a cineasta Laís Bodanzky em bate-papo realizado pela Unicamp na segunda semana de outubro. Diretora de filmes como ‘Bicho de Sete Cabeças’ e ‘Como Nossos Pais’, ela conta as nuances do audiovisual brasileiro e ressalta que o cinema “é um processo coletivo”.
A Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) promoveu, durante outubro e novembro, um ciclo de atividades que teve como convidada a renomada diretora de cinema Laís Bodanzky. Trata-se da residência artística “O Cinema em Construção: Experiência Criativa com Laís Bodanzky”, que faz parte do Programa Hilda Hist do Artista Residente.

No primeiro foi exibido o primeiro longa-metragem de Laís, ‘Bicho de Sete Cabeças’, lançado em 2001, com Rodrigo Santoro no papel principal. O filme narra a história de Neto, um jovem garoto que é internado num hospital psiquiátrico após o pai encontrar um cigarro de maconha em sua jaqueta. É baseado no livro “Canto dos Malditos”, de Austregésilo Carrano Bueno, símbolo da luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica no Brasil. Para a diretora, trata-se de um filme ardido e difícil de digerir pois além da questão manicomial, aborda o universo da loucura, o sofrimento mental e a falta de diálogo dentro das famílias.
Já no segundo encontro, Bodansky foi mediadora da mesa “O Cinema e a Música”, uma conversa com os músicos André Hosoi, BiD, Talita del Collado e Tejo Damasceno, produtores de trilhas sonoras para cinema. A comunidade teve a oportunidade de conhecer mais sobre essa área profissional e entender o processo de criação de cada convidado. No final da conversa, Laís ressaltou que a trilha sonora de um filme possui “um valor de produção invisível”, mas que é através da música que o filme cresce, já que ela consegue criar um clima e provocar sensações. As temáticas foram alternadas durante toda a programação de encontros que se estendeu por dois meses.
Sob o olhar do público, esse tipo de experiência é mais que somente aprendizado. A artista Lu Lopes, que atua com música, literatura e palhaçaria, buscou inspiração em Laís e outros profissionais que admira através dessa iniciativa. “Para mim, eles são ninjas do mercado e eu quis entender o ponto de vista deles. Achei incrível pois no final percebi que o trabalho artístico vale a pena”, conta. Aos 54 anos, Lu já trabalhou em composições para o programa infantil Vila Sésamo e ressalta que o processo criativo é tanto um ofício quanto uma diversão.

Segundo Cristiano Lira, professor e coordenador do Instituto de Estudos Avançados e um dos organizadores responsáveis, o programa Hilda Hist do Artista Residente visa a integração direta e informal entre os convidados e a comunidade acadêmica. “É uma possibilidade de futuro profissional para os estudantes, de conviver com essas pessoas como colegas”, destaca. Ele explica ainda que Laís foi a convidada da vez devido sua importância para o cinema nacional e pela capacidade de inspirar e guiar novos talentos na área.
Ao aceitar o convite, Laís deixou claro que seu papel não seria o de uma professora tradicional, mas de uma facilitadora da troca criativa. “Eu não tenho um método para ensinar. A única forma que eu teria de aceitar seria mostrando, usando o meu próprio trabalho, abrindo os bastidores da confecção de um trabalho audiovisual com os interessados”, explicou. A cineasta vê essa experiência como um retorno ao que aprendeu ao longo da carreira, oferecendo um olhar sincero sobre os desafios e encantos do cinema. Ela ainda compartilhou que, ao início de sua trajetória, sentiu falta de uma referência próxima para observar. “Eu tentei muito e não consegui ver um outro profissional fazendo. Eu fui na cara e na coragem… então essa oportunidade de aprender com alguém mais experiente é muito valiosa”, conta.
Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana
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