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Artesanato vai além do trabalho como fonte de renda

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Por Raquel Santana

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Considerada uma prática milenar, o artesanato vem se fortalecendo no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evidenciam que o  artesanato movimenta aproximadamente R$100 bilhões por ano, o que corresponde a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), o Brasil possui em torno de 8,5 milhões de artesãos, muitos dos quais vivem de sua própria produção. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), o caso de Ermison José Ambrósio, morador de Cosmópolis, é destaque. Aos 47 anos, ele e sua esposa, Andreia Aparecida da Silva Ambrósio, vivem da arte em pneus reciclados. Além da principal fonte de renda do casal, o trabalho com artesanato é uma forma encontrada por eles para propagar a sustentabilidade.

Ermison, acompanhado de Andreia, ministra oficinas gratuitamente (Foto: Arquivo pessoal/ Ermison Ambrósio)

“Sempre fui muito ligado à natureza. Tornei-me um artesão profissional há cerca de dez anos. Desde então, comecei a criar pequenas peças, como colheres de pau para cozinhar, bandejas e outros objetos feitos de madeira e bambu. Mas, durante a pandemia, fiquei desempregado e foi nesse momento que considerei a arte como uma fonte de renda”, explica Ermison. 

A ideia de utilizar pneus em sua arte surgiu do interesse em incorporar novas matérias-primas ao seu trabalho. Nas mãos dele, os pneus ganham novas formas, transformando-se em utensílios para o dia a dia, itens decorativos e até em um playground sustentável para crianças, que é montado em festas e eventos. 

Atualmente, com a experiência e paixão pelo artesanato, sempre acompanhado da esposa, Ermison também ministra gratuitamente palestras e oficinas em instituições de ensino sobre a arte sustentável em diversas cidades da RMC. “Não cobro nem um centavo, nem mesmo das escolas particulares. Eu vou com a cara, a vontade de ensinar, o amor pela arte e pela natureza”, conta Ermison.

Já em Artur Nogueira, mãe e filhos também se destacam pelo trabalho com artesanato. Embora não vivam exclusivamente disso, Andreia Pereira Campanha, de 49 anos, e seus filhos, Vitória, de 22, e Henrique Pereira Campanha, de 19, dedicam grande parte de suas vidas ao artesanato, utilizando-o como uma importante fonte complementar de renda.

Andreia, Vitória e Henrique possuem técnicas distintas de artesanato (Fotos: Arquivos Pessoais)

Andreia produz Kokodemas, uma técnica japonesa que significa “bola de musgo” e envolve as raízes de plantas em uma mistura de terra, musgo e fibra de coco. Já Vitória produz mandalas em crochê, enquanto Henrique dedica-se ao macramê, técnica de tecelagem manual com uso de nós. 

Além da renda extra, mãe e filhos também usam o artesanato como forma de elo familiar. “A arte foi uma ferramenta poderosa para nos aproximar, criando momentos de conexão e expressão conjunta”, expôs Andreia. 

Joice Souza de Oliveira ressalta apoio do Sebrae aos artesãos (Foto: Divulgação)

Para Joice Souza de Oliveira, analista de negócios do Sebrae-SP, famílias artesãs desempenham um papel vital na economia local, ao gerar renda e promover o empreendedorismo sustentável. “O Sebrae reconhece a importância das famílias artesãs da Região Metropolitana de Campinas na preservação de técnicas tradicionais como um elemento fundamental de identidade cultural e patrimônio imaterial”, explica Joice.

Hoje, o Sebrae possui diversos projetos de apoio a artesãos. Na RMC, a entidade administra um projeto voltado para o público de artesãs que tem, como um dos pilares, a capacitação empreendedora. “Tivemos, ao longo do ano, 12 turmas com o objetivo de orientação para gestão dos negócios com os temas de formalização, marketing, formação de preços e vendas, além de workshops sobre atendimento e exposição de produtos”, comenta Joice Souza. 

A analista ainda ressalta que o Sebrae cede espaço gratuito para profissionais do artesanato na Feira do Empreendedor. Desta forma, artesãos de todas as cidades podem participar e expor seus produtos. Joice explica: “A seleção é feita via edital que tem, como objetivo, dar acesso ao mercado para os pequenos artesãos de todas as regiões do estado de São Paulo”. Para mais informações, interessados podem acessar o site do Sebrae.

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Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana

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