Ciência
Práticas Integrativas e Complementares (PICS) podem ser aliadas a procedimentos psicoterapêuticos
Por Diogo Setin Mosna
As Práticas Integrativas e Complementares (PICS) vêm se consolidando como uma alternativa para auxiliar no tratamento psicológico e médico, com o reconhecimento do Ministério da Saúde no Brasil e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre as 29 práticas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecidas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), desenvolvidas em 2006 pelo Ministério da Saúde, destacam-se a Medicina Tradicional Chinesa, com a acupuntura e a Medicina Antroposófica, além de opções como homeopatia, fitoterapia, arteterapia, yoga e meditação.
De acordo com o pesquisador e professor da EPSJV (Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio)/Fiocruz Augusto Cesar Rosito Ferreira, as PICS são práticas que visam contribuir para restaurar ou manter a saúde, as quais não fazem parte da medicina ocidental tradicional. Essas práticas podem ser utilizadas de maneira isolada (terapias alternativas) ou em conjunto com tratamentos convencionais (terapias complementares).

É essencial que qualquer intervenção em terapias alternativas esteja fundamentada em evidências científicas, conforme o Código de Ética da profissão, pontua a psicóloga clínica Aline Esteves. Ao discutir esses procedimentos, é importante ser transparente e explicar que muitas dessas práticas ainda não possuem uma comprovação científica sólida. Quando um paciente demonstra interesse, o ideal é orientá-lo com cautela: incentivá-lo a buscar informações confiáveis, consultar profissionais qualificados e refletir sobre os benefícios e limitações de cada terapia.
Ainda precisa-se de mais pesquisas para afirmar em que áreas estão os maiores benefícios advindos das PICS, em termos de eficácia nos tratamentos, assegura Augusto. Por outro lado, há benefícios já perceptíveis, como o custo reduzido, não necessidade de aparato tecnológico complexo, e ausência de, ou reduzida, de efeitos colaterais.
Ele relata que pesquisas realizadas em diversas partes do mundo confirmam a eficácia das PICS, especialmente em doenças crônicas e na área da saúde mental. A simplicidade dos materiais utilizados nessas intervenções e os baixos custos facilitam seu acesso a um público mais amplo, “maior do que seria possível no caso de necessidade de aparatos e insumos caros ou de difícil acesso”, comenta Augusto.
Benefícios e atrativos das terapias alternativas
A popularização das PICS também levanta questões sobre a formação de profissionais e a regulamentação dessas práticas. É fundamental que os usuários tenham acesso a informações claras e que os profissionais sejam capacitados para garantir a segurança e a eficácia dos tratamentos oferecidos.
O pesquisador Augusto alega que a relevância das PICS se estende tanto ao SUS quanto ao sistema privado, alinhando-se às recomendações da OMS, que desde o século passado defende sua adoção em países com dificuldades econômicas. Além dos benefícios financeiros, muitos usuários optam por essas práticas devido à abordagem mais humanizada que oferecem.
As terapias alternativas e complementares podem ser aliadas valiosas no tratamento psicológico, assegura a psicóloga Aline. Embora não substituam o acompanhamento psicoterapêutico, elas podem trazer diversos benefícios ao bem-estar geral do paciente, como redução da ansiedade e do estresse,
reconexão entre corpo e mente, apoio à expressão emocional e estímulo ao autocuidado.
Ao educar o paciente sobre o funcionamento dessas práticas e ser flexível em relação às suas necessidades, Aline diz que “é possível transformar as terapias alternativas em uma valiosa adição ao tratamento psicológico, promovendo um cuidado mais completo e humano”
Acupuntura atua no tratamento de ansiedade e de dores físicas

A acupuntura, mais que auxiliar na melhora da disposição e do sono, nos casos de ansiedade, também ajuda no tratamento oncológico, segundo o acupunturista e quiroprata Luiz Henrique da Silva, reduzindo os efeitos colaterais da quimioterapia e melhorando a qualidade de vida do paciente. “Com isso, ela vai sair da sessão melhor mais fortalecida para enfrentar o dia a dia”, reitera Luiz.
Jéssica Fernanda de Oliveira, adepta a sessões de acupuntura com cromoterapia, diz que se sente “mais leve, com a cabeça boa e sem dores”.
Luiz conclui que, embora não existam efeitos colaterais, podem existir contraindicações conforme o quadro do paciente. Por isso, deve-se ter uma avaliação cuidadosa que varia de pessoa a pessoa.
Riscos associados das terapias alternativas
A psicóloga psicanalítica Beatriz Machado argumenta que não recomenda aos pacientes terapias alternativas, muitas vezes por falta de evidência científica que corrobore com sua eficácia. Ela comenta que alguns pacientes se dão bem com meditação, por exemplo, mas isso não significa que pode substituir a intervenção médica e psicoterapia por essa prática.
Pra ela, os riscos associados a essas formas de terapias são muitos, porque não é obrigatório que os profissionais dessas áreas tenham estudo e manejo psicológico. “Muitas vezes não tem como auxiliar o paciente para melhorar. Às vezes a condição inicial piora, por um atraso gigantesco por terapias alternativas”, afirma Beatriz.
Orientação: Profa. Karla Ehrenberg
Edição: Luísa Viana
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