Destaque
A mostra coletiva ‘Gráfica-MENTE’ traz vários trabalhos de nove estudantes de Artes Visuais da UNICAMP
Por Maria Eduarda Inácio Pereira

No último mês, o Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC) inaugurou a exposição coletiva “Gráfica-MENTE”, trabalho de nove estudantes de artes visuais da UNICAMP que explora o grafismo e suas especificidades. O projeto foi beneficiado pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC), da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, para que a entrada fosse gratuita e incentivasse a visitação. A abertura aconteceu dia 12 de setembro às 19h, contando com a presença de mais de 100 visitantes, e ficou à mostra até 8 de novembro. Isabel Brentani, uma das curadoras da exposição explica: “Através do compartilhamento destes resultados acadêmicos, a mostra oportuniza o contato da sociedade com a universidade, contribuindo para a democratização do acesso ao conhecimento científico e à arte”.

Os curadores Isabel Brentani, Rafael Lobo e Sérgio Niculitcheff apostaram no grafismo como conceito norteador para apresentar os trabalhos dos artistas Amanda Lima, Isabele Germano, Laura Fernandes, Manuela Camargo, Luan Silva, Isa Pita Batista, Pedro Seebregts, Thayná Vitória Tinarelli e Gabriela Gomes. As obras apresentadas são feitas com carvão, lápis e tinta, sobre cobre (calcogravura), madeira (xilogravura), tela (serigrafia), papel manteiga, papel canson, e outras superfícies, compondo um panorama expressivo da produção artística contemporânea local.
Rafael Lobo comenta: “Não apenas os aspectos mentais, mas os materiais físicos utilizados por estes artistas demonstram a interação de uma variedade de técnicas a serviço de suas obras”. A mostra não é, portanto, só relevante para sociedade pensar e olhar para si, mas, também, mais uma oportunidade para os alunos apresentarem a evolução de suas técnicas.
O grupo é composto em sua maioria por mulheres, tendo apenas dois homens e um artista não-binárie de gênero fluido. A mostra expõe, portanto, não só as obras de arte, mas também a inclusão tardia de minorias no âmbito público artístico. Desse modo, cada estudante com seu estilo e técnicas se unem em um projeto que considera a inclusão como uma das políticas orientadoras.

As obras de Isabelle Germano, por exemplo, usam e abusam do contraste de cores, explorando temáticas relacionadas ao território e a memória, revelando uma visão particular sobre suas lembranças. Já Amanda Lima, em “Inconsistências da memória” opta pelo carvão e giz pastel seco para retratar a memória e a psique humana, através de traços difusos que representam o impermanente do lembrar.
Thayná Vitória Tinarelli, uma das artistas, explica que a escolha do nanquim sobre papel manteiga é parte de uma pesquisa que desenvolve com linhas e manchas “Trabalhar com papeis translúcidos é muito interessante por possibilitar a passagem de luz através das linhas, a sobreposição de composições e repetição das formas”. Quando questionada sobre qual sensação gostaria de passar ao observador, a artista diz que gostaria que o público atribuísse sentido às imagens, mais do que propor uma única sensação e parte disso se deve à técnica utilizada. “Visualmente esses materiais juntos, conferem aos desenhos uma delicadeza visual que acho interessantes, acredito que contribua para criar uma atmosfera de mistério e sugestões que as próprias figuras performam no espaço da composição” completa.

Há também aqueles que partem da lembrança de vivências pessoais para elaborar formas orgânicas e abstratas, como Isa Pita Batista, artista não-binárie, que encontra na fluidez das tintas, uma forma de expressão social. “Eu amo ver o nanquim, ou a tinta, se espalhando na água, como até um ser vivo mesmo, algo biológico, como um fungo que se espalha. Eu acho que isso conversa muito comigo no sentido pessoal e até de gênero, por me considerar uma pessoa de gênero fluido, por não sentir que meu gênero é algo estático, super definido e rígido”, comenta.
Uma das visitantes, Beatriz de Oliveira, estudante de pedagogia da UNICAMP, conta que gostou muito das obras: “Achei bem intimista, trazia bastante da realidade, acho que os autores conseguiram passar bem os sentimentos, que podiam ser pessoais, ou não”. Sobre os trabalhos de Gabriela Gomes, mais especificamente, afirma: “Vários traziam uma potência sobre o feminino e a força interior”.
Thayná ainda conta como a exposição foi uma realização importante na sua vida. “Foi quando eu pude ver meu processo artístico, algo que eu acreditava ser tão íntimo, pessoal, como resultado […] foi além de um começo de ser vista por outras pessoas, foi uma autodescoberta”, destaca.
A mostra “Favorece a aproximação entre universidade e sociedade contemporânea, a autorreflexão crítica, a emancipação teórica e prática dos estudantes e o significado social do trabalho acadêmico e da produção artística”, afirma Sérgio Niculitcheff, um dos curadores da exposição.
Orientação: Profa Karla Ehrenberg
Edição: Melyssa Kell
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