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Mulher ciborgue é submissa no cinema, apura pesquisadora

Em oficina no Sesc-Campinas, a antropóloga Isabel Wittmann analisa filmes como Metrópolis, Blade Runner e Ex-Machina

Por: Théo Miranda, João Victor Amorim e Kauan Panontin

Isabel Wittmann sempre foi fascinada por cinema e por meio da apresentação de cenas de filmes aborda um tempo muito presente na realidade, a retratação das mulheres (Foto: Théo Miranda)

Doutora em antropologia, a arquiteta e crítica de cinema Isabel Wittmann argumenta que, até na ficção científica, as mulheres têm sido representadas como submissas ao universo masculino. Seu argumento decorre das pesquisas para seu doutoramento, pela Universidade de São Paulo, onde pesquisou longa metragens nos quais a mulher desempenha papéis de robôs, ciborgues ou androides.

As descobertas da pesquisadora, que denomina de “mulheres artificiais” as personagens estudadas, servem de base para uma oficina que vem desenvolvendo, nas quartas-feiras, no Sesc-Campinas. O tema dos encontros dá seguimento aos estudos anteriormente iniciados por ela.

Na universidade, seu trabalho teve por título “Feminilidades maquínicas: gênero, sexualidade e corpo de mulheres artificiais no cinema fantástico”. Natural de Santa Catarina e, embora graduada em arquitetura, Isabel diz sentir-se realizada ao pesquisar dentro do universo cinematográfico.

Além da apresentação feita pela crítica de cinema ao longo de aproximadamente três horas de oficina, aqueles que estiverem presentes podem exibir suas ideias e expor suas críticas aos filmes (Foto: Théo Miranda)

A didática do curso passa pela exibição de cenas de obras clássicas da cinematografia, como Metrópolis (1927), Blade Runner, o Caçador de Androides (1982), Ela (2013) e Ex-Machina (2014). Segundo a pesquisadora, as mulheres não são retratadas da melhor maneira quando têm sua imagem vinculada ao artificial, pois a feminilidade é estereotipada e, por diversas vezes, acabam retratadas como submissas a alguém.

Abaixo, entrevista com a participante da oficina Aline Guevara:

https://podcasters.spotify.com/pod/show/lara-santana72/episodes/Entrevista—Aline-Guevara-e2l6e4i

“Quando a gente pega os filmes mais antigos, os filmes mudos, ainda existia um certo medo da tecnologia que está vinculada ao corpo feminino e, a partir da década de 1970, a gente começa a ter uma certa idealização de uma submissão desses corpos femininos artificiais. Quando chegamos no século XXI, a maioria dos filmes idealizam de outra forma. Eles idealizam o amor romântico e o desejo dos homens protagonistas de que essas mulheres artificiais correspondam a esse tal amor romântico. Então, ainda existe um certo desejo de submissão”, afirmou Isabel.

A oficina “Mulheres artificiais” ainda contará com duas aulas, dias 26/06 e 03/07. As inscrições podem ser realizadas pelo site da organização.

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: Isabela Meletti

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