Destaque
Roberto Munhoz recomenda a utilização da linguagem não verbal como um caminho para ensino individualizado
Por: Henrique Alves
Roteirista dos Estúdios Maurício de Sousa e professor de artes do Fundamental I e II na Prefeitura de São Paulo, Roberto Munhoz propõe que os professores deveriam utilizar histórias em quadrinho, em sala de aula, para identificar aptidões dos alunos e potencializar funções psicológicas das crianças. A sugestão foi tema do bate-papo literário realizado nesta quarta-feira (25), no teatro do Sesi Campinas. O educador destacou a baixa utilização das HQs nas escolas do Brasil e apontou como a integração entre o artefato cultural e a aula podem beneficiar os alunos.

“Os professores precisam treinar o olhar”, disse o educador para as cerca de 20 pessoas presentes à palestra, na maioria professores. De acordo com Munhoz, através de desenhos, simples que sejam, um professor tem condições de identificar símbolos e compreender as propensões do aluno, através de desenhos realizados pelos jovens. Com isso, o aprendizado pode ser individualizado de modo que intensifique suas habilidades.
Para o palestrante, a convivência com símbolos e personagens amplamente conhecidos pelas crianças, devido à presença em quadrinhos, facilita o aprendizado. Seja uma nota musical ou a personagem Magali, da Turma da Mônica, exemplificou.
A linguagem mais acessível presente nestas obras permite – segundo afirmou – até mesmo que crianças, ainda não alfabetizadas absorvam conteúdos das disciplinas pela existência da linguagem não verbal. “O foco não está em cada detalhe do quadrinho, mas sim no teor da obra”, lembrou.
Segundo Munhoz, o mercado de quadrinhos no Brasil é pouco promissor, devido à lenta inclusão da cultura nos parâmetros curriculares e nos materiais de ensino do sistema educacional brasileiro. O docente disse que as críticas, como a realizada pelo psiquiatra e escritor alemão Fredric Wertham, na obra Seduction of the Innocent, publicada em 1954, motivam um preconceito histórico contra as HQs, que também sofrem com a pouca utilização na formação dos professores.
Para comprovar a facilidade do aprendizado através das histórias em quadrinhos, o professor, de 56 anos, utilizou como exemplo a obra Turma da Mônica 60, Nós Robô. Munhoz foi o responsável pelo roteiro desta edição. Segundo ele, a aplicação desta HQ em salas de aula permite que qualquer criança aprenda sobre o ciclo de reciclagem, que é o tema da edição, mesmo sem entender as frases escritas, através apenas dos símbolos e desenhos presentes na história. “O importante é o ensinamento, e não cada detalhe da texto escrito”, disse.
Munhoz é graduado e licenciado em Artes Visuais pela Unip, e possui MBA em gestão escolar pela USP/Esalq. Segundo ressaltou, a convivência com crianças, em salas de aula e oficinas de arte, contribuiu para que ele incorporasse o “espírito de pai”, motivando-o cursar letras, em português e espanhol, e pedagogia, na Univesp, ambas as formações ainda em andamento.
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: Melyssa Kell
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