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Arthur Lima alerta para doenças mentais com origem em redes sociais e nas plataformas digitais
Por: Beatriz Cossul Candiotti
Os impactos da tecnologia na saúde mental foi o tema do Café Filosófico da última quinta-feira (21) no Instituto CPFL. Contextualizando a temática com o processo de transformação do trabalho a partir da adoção de tecnologias contemporâneas, Arthur Lima, especialista em Saúde, Ambiente e Trabalho, alertou sobre a urgência de repensar o modo como a humanidade interage com as redes e com as telas. Este foi o primeiro episódio da série “Mente em Foco”, uma parceria entre o Instituto CPFL e o Pacto Global da ONU, que visa discutir a saúde mental na atualidade.

Para Lima – dentista de formação e mestre em saúde da família – apesar de já ser uma realidade pré-pandêmica, o adoecimento mental devido ao uso descontrolado das tecnologias se agravou durante e após a pandemia, cenário em que o trabalho e o lazer eram fruto, principalmente, das redes sociais e plataformas tecnológicas. A partir dessa mudança, o uso da tecnologia passou a ser incondicional e atemporal, e tem como consequência a perda de foco e noção do tempo conectado com a rede e, principalmente, o medo de perder informações, sejam elas fúteis ou importantes.
Nessa perspectiva, Lima cita a Síndrome da FOMO, Fear Of Missing Out (medo de ficar de fora, em tradução livre), que tem a ansiedade como principal sintoma, levando a pessoa a manter-se imersa em informações na internet por medo de não estar atualizada. Citando um estudo do segundo trimestre de 2021, feito pela consultoria App Annie Intelligence, ele argumentou que os brasileiros passam de 4 a 5 horas por dia em aparelhos eletrônicos, conquistando o primeiro lugar no ranking dos países que mais gastam tempo em aplicativos.
Ao associar o tempo de uso e a FOMO, o especialista afirma que o mundo experimenta uma aceleração da digitalização da vida, contexto em que a tecnologia está diretamente envolvida, sendo uma potente ferramenta para a otimização de processos e de tempo. Entretanto, de acordo com Lima, “nosso cérebro não acompanha as mudanças tecnológicas, porque enquanto tentamos processar todas as novidades, já existem outras sendo criadas. É dessa incapacidade de acompanhar que adoecemos nossas mentas, e nós somos responsáveis por isso. Não vamos mudar a forma como as plataformas foram feitas, mas cabe a nós assumirmos as rédeas de interação com elas”.
Sobre as principais estratégias de autocontrole, Lima cita a indispensabilidade de priorizar o que há mais de humano e que não pode ser substituído pela tecnologia, o toque. Outro método é utilizar ferramentas já existentes nos aparelhos eletrônicos, como estabelecer limites de tempo para aplicativos e desativar notificações que, segundo ele “foram feitas exclusivamente para gerar a ansiedade de acessar o que há de novo o mais rápido possível, sem que tenhamos tempo para julgar se de fato é relevante”.
O especialista adverte que, apesar dos malefícios à mente quando utilizadas sem autocontrole, as redes sociais não são vilãs, citando como exemplo o entretenimento digital dos comediantes durante a pandemia, que trouxe “uma boa e necessária distração”. Para ele, o importante é justamente estabelecer equilíbrio entre o acesso à informação, entretenimento, plataformas de trabalho e demais ferramentas da tecnologia. “Em meio a tantas possibilidades que nos são oferecidas, nem toda interação virtual vale à pena”, comenta Lima.
Ao final do encontro, o especialista volta ao questionamento proposto por ele ainda na apresentação do tema, sobre até que ponto se pode usar a tecnologia para que ela trabalhe a favor da sociedade sem substituí-la ou aprisioná-la. O médico alertou que a resposta é menos confortável do que se espera, pois cabe à própria sociedade impor limites e assumir as rédeas de seu relacionamento com as inúmeras opções que a tecnologia disponibiliza. “O verdadeiro desafio está no equilíbrio entre sua eficiência e nossa autonomia e bem-estar diante dela”.
bem-estar diante dela”.
Abaixo, link para o Café Filosófico, com Arthur Lima:
https://www.youtube.com/live/m2blhWc8xdU?si=TGk4bYGn5aTCBRKh
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: Melyssa Kell
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