Ciência
Nomeada de Saurona por cientistas, escolha do nome do novo gênero de borboleta foi inspirada na obra O Senhor dos Anéis
Por: Eliana de Paula, Kamila Minari e Maria Alice Trevizam
Na ciência, vez ou outra, a cultura pop transpassa a linha entre ficção e realidade. Especialistas costumam prestar homenagens a atores ou personagens célebres através da nomenclatura de novas descobertas. O personagem interpretado por Conleth Hill em Game of Thrones (adaptação da saga épica “As crônicas do gelo e fogo” de George R. R. Martin), Lorde Varys, influenciou o nome de um gênero de aracnídeos encontrados no Norte do Brasil em 2018, a Ochyrocera vary. Dessa vez, outra saga de sucesso global foi homenageada no batismo de um novo gênero de borboletas que foi encontrado na Floresta Amazônica: a obra cinematográfica inspirada nos livros de J. R. R. Tolkien e de nome homônimo, “O Senhor dos Anéis”.

“Os especialistas a chamaram de Saurona em alusão ao Olho de Sauron porque ela tem marcas nas asas que lembram a maneira como o olho foi reproduzido no filme. Para quem já assistiu, fica clara a referência”, afirmou o professor do Departamento de Biologia Animal e Diretor do Instituto de Biologia da Unicamp, André Victor Lucci Freitas. “Hoje em dia, as pessoas usam nomes da cultura pop como, no passado, usaram nomes da cultura corrente da época como, por exemplo, da mitologia greco-romana. Nesse caso específico, as autoras gostaram da similaridade dessas manchas da asa com a representação do filme. Particularmente, eu acho interessante essa perspectiva cultural”, disse o pesquisador.
Ambientada na fantasiosa Terra Média, a ficção de Tolkien acompanha as desventuras de um hobbit que, após receber um anel mágico de seu tio, tem a missão de destruí-lo antes que caia em mãos malígnas. Símbolo conhecido desta narrativa, o Olho de Sauron é adaptado no cinema como uma orbe ardente. O novo gênero de borboleta possui a parte traseira das asas alaranjadas e ocelos brancos que lembram o olho do vilão.

O cientista aponta que há diversas maneiras de identificar novas espécies; uma delas é trabalhar sob o material científico já produzido. Outra forma são as coletas em pesquisas de campo. “Quando a gente identifica alguma espécie que difere das já descritas, o próximo passo é fazer um estudo mais aprofundado, comparando outras espécies. Algumas são muito diferentes, outras são muito parecidas. A partir de um exame detalhado, surge o conhecimento de que temos uma nova espécie que precisa ser nomeada. No caso da Saurona em específico, ela não foi uma espécie descoberta, mas sim um novo gênero”, afirmou Freitas.
De toda forma, o processo de validação da descoberta é muito criterioso. “A parte mais importante é a publicação do trabalho científico em revistas científicas. É bastante criterioso e a partir da data de publicação, ela é válida. Contudo, a descoberta não se torna verdade absoluta, mas pode ser considerada uma boa evidência da realidade”, aponta o professor Freitas.
Para o cientista, o impacto do gênero Saurona não é de grande relevância para o ecossistema brasileiro: “As espécies já estavam lá, ou seja, a diversidade não aumentou”. Contudo, a pesquisa é de extrema relevância, uma vez que estudar borboletas ajuda a compreender problemas por elas enfrentados. “Sem os polinizadores, o ecossistema não funciona como deveria e passamos a não ter mais serviços ecossistêmicos, ou seja, tudo aquilo que ganhamos gratuitamente da natureza, só porque existe um sistema em equilíbrio funcionando”, declara o pesquisador. Além da homenagem, o nome inspirado na cultura pop também ajuda a despertar o interesse da população e impulsionar esforços de conservação.
Orientação: Prof. Artur Araújo
Edição: Suelen Biason
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