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Profissionais analisam o papel da imprensa na divulgação de informações relevantes para a sociedade
Por: Mariana Neves e Melyssa Kell
O dia 1° de junho é o Dia da Imprensa no Brasil, de acordo com a Lei n.º 9.831, de 13 de setembro de 1999. A data reforça a busca da imprensa por igualdade e justiça em meio a um cenário de insegurança e constantes ameaças à credibilidade jornalística. De acordo com os resultados do relatório de monitoramento anual da Violência contra Jornalistas realizado em 2022 pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), o número de ataques a jornalistas aumentou 23% levando em consideração o mesmo período de 2021.
“A violência para com os jornalistas vai muito além de uma briga na rua ou ainda uma coisa mais séria”, diz Beatriz Mota, formada pela PUC-Campinas. Para ela, a população confunde e associa a notícia com o jornalista que a produz. “A gente sabe que não é todo mundo que vai entender como funciona, como é a linha editorial de veículo […] passa-se a culpar o jornalista pela notícia e não quem está sendo resgatado nela”, complementa. De acordo com levantamento da Abraji, prosseguindo com o padrão de 2021, 63,4%, quase dois terços dos alertas de 2022, tiveram origem ou foram repercutidos na internet.

Para Thiago Tanji, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), o Dia da Imprensa reforça a importância da imprensa como mediadora da informação. “A nossa profissão lida com questões muito sensíveis. Quando fizemos a cobertura da pandemia nós afirmamos nosso caráter de centralidade, nossa função enquanto jornalistas foi trazer uma luz, naquele momento nós reforçamos nosso papel primordial na sociedade”, disse.
Tanji também acredita que mesmo com a constante descredibilização e ataques à imprensa a cobertura jornalística feita na pandemia, por exemplo, foi boa. “Embora nossa categoria seja o alvo de constantes ataques, afinal desde 2018 você vê ataques à imprensa com mais frequência, principalmente a mulheres, mesmo assim enfrentamos os percalços”, disse.
Em concordância com a fala do presidente do SJSP, Beatriz Mota diz que assuntos polêmicos costumam causar mais desconforto quando tratados pela imprensa. “Algumas situações meio chatas sempre surgem […] principalmente quando é relacionado a política, gestão política, economia, governo, nomes políticos, e do presidente. Ficou mais forte principalmente nos últimos governos […] do governo Dilma até governo Bolsonaro. Agora no governo Lula a gente vê que isso deixou de ser intensificado”, analisa.

Para aqueles que estão em busca da formação, o cenário pode ser de insegurança. “De vez em quando bate um medo, receio, mas aí lembro de todos os jornalistas que combatem os ataques frente a frente. Respiro mais aliviado”, diz o estudante de jornalismo Gustavo Baldesin, que cursa o terceiro semestre de jornalismo e reconhece o papel primordial da imprensa. “Nunca estivemos tão desinformados e informados na mesma proporção. É dela o papel de sempre voltar ao ponto inicial e reconstruir tudo aquilo que foi relatado. Influencia-me saber que não estou sozinho nesta trilha sinuosa, que há colegas que também acreditam numa sociedade que necessita da imprensa, da informação e de uma imprensa que necessita de uma sociedade. O valor é imensurável”, diz o estudante.
Outro aspecto que influencia a maneira como é vista a imprensa são as novas tecnologias, uma vez que abrem espaço para debate amplo e até mesmo contestação da notícia. Nesse sentido, Tanji acredita que o ideal é que os profissionais cada vez mais estejam preparados para utilizar dos novos recursos para levar a informação com qualidade. “Eu acho que a tecnologia, as redes sociais, nada disso é ruim, pelo contrário. Você ter um celular, produzir conteúdo, tudo isso potencializa a democratização da comunicação do Brasil inteiro ou do mundo inteiro”.
No entanto, o presidente do Sindicato reforça a necessidade da cautela no consumo das informações nas redes sociais. “Por outro lado, é óbvio que isso não acontece só de um jeito bom. Vemos as redes sociais com essa característica para desinformação, sendo utilizadas por governos, para neutralizar a influência da informação de qualidade e verídica”, diz. Complementando Tanji, para Mota, a internet possibilita o conhecimento a respeito da profissão do jornalista e consequentemente o trabalho da imprensa. “Esse acesso democratizado [da internet] traz também ali um entendimento maior de como funciona esse universo do jornalismo, ainda que para aquelas pessoas que não estão na área, que não são jornalistas ou não entendem muito profundamente sobre isso.”
Orientação: Profa. Rose Bars
Edição: Gabriela Lamas
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