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O professor Márcio Capelli, em palestra na pós-graduação, diz que a literatura reinventa a religião
Por: Melyssa Kell

Pesquisador e doutor em teologia, o professor Márcio Capelli disse que a poesia pode ser comparada a “exercícios espirituais”, pois produzem o ordenamento dos afetos que colocam o ser humano “no trilho para a experiência do místico”. Professor do programa de pós-graduação em Ciências da Religião da PUC-Campinas, ele debateu o tema em evento remoto, na quinta-feira, 18, para estudantes do curso, buscando abordar as conexões existentes entre literatura e religião.
“O objetivo [da religião] é o progresso da vida contemplativa, com vista à experiência de participação no ser divino por meio do exame e do justo ordenamento da consciência, dos afetos, das motivações, das vontades”, disse Capelli ao recorrer à obra do pensador e escritor Inácio de Loyola, do século XV, posteriormente santificado pela igreja católica.
O docente disse compreender que a relação entre a literatura e a religião é ancestral. “A relação entre o que chamamos de literatura, como poema, romance, crônica, e o que chamamos de religião, que é um sistema de crenças que organiza a vida das pessoas, são duas instâncias que desde muito cedo estão relacionadas”, afirmou.
Capelli lembrou, em sua palestra, que as primeiras expressões rituais ocorreram na sociedade arcaica, relacionadas e associadas à produção de imagens, gestos e repetições verbais estruturadas. Na Grécia Antiga, segundo apontou, observa-se, a partir dos textos de Homero, “que existe uma conexão profunda com a religiosidade de sua época”. No caso do cristianismo, atribuem-se à arte funções linguísticas, musicais e pedagógicas, todas associadas à literatura.
O pesquisador em ciências religiosas recorreu ao filósofo Pierre Hadot, historiador e filólogo francês, para concluir que os recursos intelectuais motivam para a reflexão e a possibilidade de mudança por meio da consciência. “Graças a eles, o indivíduo se esforça por transformar sua maneira de ver o mundo, a fim de transformar a si mesmo”, disse.
Capelli também ponderou que, ainda que exista um componente espiritual nos textos literários, esses textos precisam ser considerados como textos literários e não teológicos, embora possam existir convergências, uma vez que “a literatura reinventa a religião”.
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: Bruno Brighenti Perez
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