Cultura & Espetáculos

Mostra do Sesc preserva os cantos da tribo Tikmũ’ũn

Itinerante da Bienal de SP, Faz escuro mas eu canto ficará na cidade em julho

Por: Guilherme Turati e Laura Rouanet

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https://youtu.be/b_OYK0gEp2U

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Campinas recebe, até o dia 31 de julho, a mostraFaz escuro mas eu canto. Com o tema “Cantos Tikmũ’ũn”, a exposição levanta debates sobre colonização, racismo e xenofobia. A mostra foi primeiramente exibida na 34ª Bienal de São Paulo, ao final de 2020, e chega em Campinas como ‘itinerância’, ou seja, uma parte da mostra exibida anteriormente, no galpão do Sesc Campinas, na rua Rua Dom José I, 270, no bairro Bonfim, próximo à rodoviária. Entre os artistas expostos, estão Abel Rodríguez, Adrián Balseca, Sebastian Calfuqueo, Hanni Kamaly, entre outros.

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Também conhecidos como Maxakali, os Tikmũ’ũn habitavam a fronteira entre Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia e, após atos violentos, foram forçados a sair de suas terras. Eles organizam suas tarefas diárias através do canto, e a exposição reforça a potência do ato como resistência. “Faz escuro mas eu canto”, sem vírgulas, reforça a reação imediata perante ao obscurantismo. A expressão é um verso do poema homônimo de Thiago de Mello, falecido em janeiro de 2022. Amazonense, viveu boa parte da vida em Manaus, e é considerado um ícone da literatura regional, e um militante pelos direitos humanos.

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“Na luz dos recentes eventos, é mais importante do que nunca valorizar e preservar a cultura indígena, então acho importante, como cidadã, apoiar exposições do tipo”, explica Marina Matos, estudante de medicina, se referindo ao desaparecimento e morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia. Marina não era a única espectadora da mostra: diariamente, grupos escolares, das mais diversas idades, são recepcionados pelos guias do Sesc, que espalham o poderio da arte como vetor de transformação social.

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Mostra estará no galpão do Sesc Campinas até o dia 31 de julho

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A exposição é multimídia – seu conteúdo é composto não apenas de quadros e estátuas, mas também de vídeos, experiências sensoriais e áudios, de forma a passar a experiência completa ao espectador. Enquanto se observa obras das mais diversas correntes artísticas, passando do neoconcretismo à arte moderna, um aparelho sonoro emite os cantos dos Tikmũ’ũn, e vários aparelhos televisivos localizados no galpão transmitem imagens cotidianas da tribo.

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“Faz escuro mas eu canto”, embora tenha como principal tema os Maxakali, conta também com artistas internacionais expondo suas obras, todas com caráter social. É o caso de Nina Beier, artista plástica da Dinamarca. Em suas obras, ela descontextualiza objetos cotidianos, inserindo-os em situações artísticas para provocar uma reflexão sobre o significado da vida. “Nós nascemos em um mundo de coisas, muitas delas que já foram criadas por gerações anteriores, em contextos sociais e culturais diferentes. Eu gosto de removê-los desse contexto, para observarmos a trajetória deles no mundo, e também para vermos como a mudança deles na nossa realidade reflete a mudança em nosso mundo”, explica a artista, em entrevista realizada em inglês.

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‘Intinerância’ tem entrada gratuita

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A ‘itinerância’, que estará no galpão do Sesc Campinas até o dia 31 de julho, fica aberta de terça a sexta-feira das 9h às 21h, e aos sábados, domingos e feriados das 10h às 18h. A entrada é gratuita.

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Orientação e edição: Prof. Adauto Molck


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