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Pesquisadores usam cogumelo no desenvolvimento de clareador dental 

O tipo utilizado é o shimeji e o objetivo com isso é oferecer tratamentos sustentáveis

Por: Danielle Xavier e Otoniel Bueno

O professor, Juliano Lemos Bicas da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (Foto: Pedro Amatuzzi/Inova Unicamp)

A Unicamp, em parceria com a Unifesp, desenvolveu um clareador dental produzido a partir do cogumelo shimeji. A substância foi resultado do trabalho conjunto de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) e da Unifesp.

A empresa Webbe licenciou a tecnologia. O objetivo é fornecer um produto menos agressivo do que os tratamentos convencionais já existentes, que podem provocar efeitos adversos: irritação na gengiva, na mucosa oral e a sensibilidade temporária dos dentes. O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética no uso de Animais (CEUA) da Unicamp e deve seguir para os outros testes e também passar por órgãos regulatórios.

Os testes laboratoriais, feitos in vitro (placas) e em blocos dentários bovinos, considerou o extrato de cogumelo seguro e os passos seguintes devem ser testagens de concentração e da aplicação técnica para o clareador, para então seguir a fase de testes clínicos em humanos. 

O estudo contou com o teste de 4 cogumelos: paris, shimeji branco, shimeji preto e shitake. Segundo o professor Juliano Lemos Bicas, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, o cogumelo shimeji preto foi o com maior resultado. “Também testamos o talo, que é aquela parte não comestível. Na ciência, temos que fazer o controle, o ‘controle negativo’ para ver se está funcionando e quando fomos fazer o ‘controle negativo’, e aquecer bastante o cogumelo, para inativar as enzimas, esperávamos que não funcionasse nada, mas funcionou ainda melhor e no fim estávamos pensando que era a enzima que causava o clareamento, mas não era”, explica.

Com a ascensão da busca por produtos naturais e sustentáveis, o professor explica que os clareadores com o cogumelo shimeji são menos agressivos, mas não chegam a um resultado tão branco quanto os convencionais. “Ele age mais ou menos entre 70 e 75% do nível de brancura que se consegue com os clareadores existentes e o público já prefere isso, porque dizem que é artificial e chamativo aquele branco forte”, comenta.

Para a dentista que trabalha com clareamento dental, Sumara Mamede Chuluc, especialista em Ortodontia e Reabilitação Oral, a iniciativa é interessante e deve utilizar em seu consultório se for aprovado por órgãos regulatórios. “Se o produto for testado e aprovado pelos órgãos regulatórios, vou utilizar”, diz. Segundo a dentista, na área da Odontologia, práticas sustentáveis devem ser melhoradas. “Temos muito a melhorar na odontologia, desde os descartes de embalagens, o excesso delas e os produtos químicos utilizados, que vão para a rede de esgoto’’, afirmou.

Ainda nas questões sustentáveis, o professor Juliano Lemos Bicas diz que o uso do talo do cogumelo shimeji ganha uma nova função. “Por ser um produto natural renovável, a gente está partindo de algo que era para ser jogado fora e agora estamos dando um uso mais nobre”, comenta.

A expectativa é de que o clareador produzido a partir do cogumelo shimeji tenha um preço acessível. Com a pretensão de ter as opções de clareador em gel, enxaguante bucal e creme dental, pode levar cerca de dois anos até a definição do público para vendas e a sua expansão. “Temos um projeto financiado pela Fapesp para fazer o gel e o enxaguante. A expectativa é começar lançar no mercado primeiro para os profissionais de saúde para ver se está funcionando bem, como está a aceitação disso e, no futuro, em um segundo, momento disponibilizar para um público geral e o creme dental. Nesse primeiro momento, estamos trabalhando com um gel e o enxaguante”, diz.

O professor diz que é necessário valorizar a ciência e que isso não tem acontecido. “A ciência vem sofrendo muito ataque, no movimento científico e tecnológico pela população em geral e o governo, não só no Brasil e isso é muito preocupante porque acho que as pessoas estão começando a perder a conexão daquele motivador inicial do porque a gente investe em ciência”, finaliza.

Orientação e edição: Professor Artur Araujo


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