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Pesquisa aponta um novo tipo de autoridade sacerdotal

Mestrado feito por padre Robson Caramano aponta as mudanças que a midiatização traz à religião

Por: Gustavo Costa

Padre Robson Caramano: “Não dá para ser essa presença de Cristo deitado na cama do meu quarto” (Imagem: Videoconferência)

Para chegar aos resultados de seu mestrado no programa em Linguagens, Mídia e Arte (Limiar), da PUC-Campinas, o padre Robson Caramano analisou as missas transmitidas no canal do padre Marcelo Rossi, no Youtube, durante a Quaresma de 2019. A intenção era compreender as mudanças que a midiatização traz para à religião católica, inclusive nos próprios ritos da liturgia.

Caramano, em entrevista ao Digitais, disse que hoje a Igreja Católica encontra um novo tipo de fiel, que está totalmente inserido nas práticas midiáticas e que não é mais atingido pelos meios antes vistos pela instituição como única forma de comunicação. O pesquisador explica que existe uma hierarquia de autoridade na igreja e busca, em sua dissertação, compreender como esse novo cenário dominado pela mídia influencia na mudança daquilo que constitui essa autoridade.

Caramano, de 33 anos, é sacerdote da Igreja Católica desde 2014 e atualmente, além de ser assessor de comunicação e imprensa da diocese da qual faz parte, atua na paróquia São Nicolau de Flüe, na cidade de São Carlos.

Ele comenta que encontrou no Programa de Pós-Graduação em Linguagens, Mídia e Arte (Limiar) da PUC-Campinas um espaço que, por se tratar de um programa interdisciplinar, lhe permitiu estudar a comunicação usando os conhecimentos que já havia adquirido nas graduações de filosofia e teologia, realizadas durante sua formação sacerdotal.

Segundo o autor, os sacerdotes, que já possuem autoridade por conta da posição que ocupam na hierarquia da Igreja, agora contam com as redes sociais como uma nova ferramenta de evangelização, que dão a eles uma nova forma de estabelecer e exercer sua autoridade. Para o sacerdote, a Igreja já avançou muito na forma de se comunicar através das redes digitais, adaptando desde a linguagem até os próprios ritos das celebrações e, nesse contexto, o papel dos leigos torna-se essencial por conta de “estarem envolvidos nessa realidade”.

Padre Robson enxerga os efeitos da midiatização como positivos, visto que, segundo ele, apesar de que as celebrações acompanhadas de casa não têm o mesmo valor sacramental, elas instigam as pessoas a participarem presencialmente.

“A pessoa precisa ter um comprometimento com a realidade, senão não estará cumprindo aquilo que é a missão dela enquanto cristã: ser a presença de Cristo no mundo. Não dá para ser essa presença de Cristo deitado na cama do meu quarto e assistindo tudo”, ressalta. A transmissão dessas celebrações pela mídia, de acordo com ele, é importante para aqueles que não podem sair de casa, além de dar visibilidade à instituição, aos trabalhos que a comunidade realiza e oferecer referências que ajudam as pessoas. Ele destaca, porém, que esse processo de midiatização pode trazer efeitos negativos para a Igreja, visto que uma de suas possíveis consequências é a tentativa de transformar as celebrações em um evento midiático, tirando delas a sua essência sacramental e litúrgica. O fenômeno não agregaria valor ao crescimento espiritual do povo, sendo esse o limite a partir do qual a midiatização passa a ser um problema, e não uma ajuda.

A entrevista com o Padre Robson Caramano, na íntegra, está disponível abaixo:

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: João Vitor Bueno

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