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Moradores lutam para conservar agrofloresta em Campinas

Local é preservado desde 2013 e a comunidade enfrenta dificuldades para que demandas sejam atendidas

Por Bianca Velloso e Thammy Luciano

A Agrofloresta da Vila Santa Isabel, localizada no Distrito de Barão Geraldo, em Campinas, é um projeto de conservação e cultivo de diversas espécies, mantido por moradores. Para a preservação do local, em 12 de agosto, os voluntários participaram de uma reunião com a subprefeitura, onde foram apresentadas algumas demandas, que ainda não foram atendidas.

Placa de identificação da área criada em 2013 por moradores locais (Foto: Bianca Velloso)

Segundo os moradores, desde a mudança de gestão, durante as limpezas urbanas, o espaço da agrofloresta vem sendo afetado. O local não é reconhecido como área de preservação e produção para autoconsumo, como são os casos das hortas comunitárias, o que dificulta a identificação para as equipes que fazem a limpeza de vias e canteiros.

Além do reconhecimento do espaço da agrofloresta, na reunião foram solicitados fornecimento de materiais de poda e roçagem para adubo e cobertura do solo, cuidado na capina seletiva para que não fossem cortadas pequenas mudas de espécies nativas e frutíferas, instalação de lixeiras, ligação de água para a irrigação da horta nos períodos de seca e instalação de placas para identificar as árvores e placas de avisos sobre carrapatos para a prevenção da febre maculosa.

Desde 2013 os moradores da Vila Santa Isabel mantêm a agrofloresta com o plantio de espécies nativas e preservação da área verde. No local, além das diversas espécies de árvores e plantas, são cultivadas frutas, legumes e verduras, que podem ser consumidas pelos moradores. Carlos Eduardo Pereira Nunes, é biólogo e deu início ao projeto comunitário da Agrofloresta, ele explica que a horta e o cultivo não tem uma produção excedente, sendo para consumo da comunidade.

Carlos Eduardo deu início ao cultivo e preservação da agrofloresta (Foto: Arquivo Pessoal/Carlos Eduardo Nunes)

O trabalho voluntário conta com mutirões de limpeza, plantio de novas mudas e até mesmo visitas de estudantes e interessados em conhecer o espaço. Os moradores resistem aos problemas enfrentados, mas também esperam a colaboração das autoridades para manter o projeto. “Dependemos muito de ter os vizinhos ali mantendo, cuidando e plantando. Mas, também precisamos da ajuda da subprefeitura, não passar com a roçadeira na área e não destruir o que está sendo plantado”, explicou Carlos Eduardo.

A área onde é localizada a agrofloresta, é parte de um corredor ecológico que liga a Mata Santa Genebra e segue em direção à Fazenda Rio das Pedras. O espaço estimado de plantio, que varia entre árvores e horta, é de 30 metros. Segundo o professor da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC Campinas, João Manuel Verde, a manutenção do espaço com espécies nativas, permite a melhoria na qualidade do solo e aumenta a infiltração de água no subsolo, favorecendo as nascentes e cursos d’água. Além disso, a produção de flores e frutos, faz com que abelhas, pássaros e outros animais exerçam o papel de polinizadores e dispersores de sementes, acelerando o processo de plantio e diversidade ambiental.

Com a revitalização da área, as espécies nativas retornaram ao local (Foto: Aline Binato/Instagram)

“Plantar dentro da mata, espécies compatíveis e integradas, produzindo alimentos para consumo próprio, a natureza ganha e as pessoas também, isso prova que não é necessário derrubar a mata para produzir, mas é necessário pesquisa e desenvolvimento de métodos e ações”, explicou João Verde. Para ter acesso à vista aérea da agrofloresta é só clicar neste link.

Reunião com a subprefeitura

O grupo responsável pela Agrofloresta da Vila Santa Isabel, procurou a subprefeitura de Barão Geraldo em agosto. Os representantes que participaram da reunião com o subprefeito Osvaldo Kaize, disseram à reportagem que a pauta não teve sucesso e as demandas não seriam atendidas.

Em nota ao Digitais, a subprefeitura informou que as demandas foram encaminhadas ao Departamento de Parques e Jardins (DPJ), em setembro, e estão sendo avaliadas pelo órgão responsável.

Procurado pela reportagem, o DPJ declarou que será solicitada a instalação de lixeiras na área. Sobre a roçagem, são feitas conforme manutenção periódica já prevista e a falta de capina e limpeza do local, pode contribuir para o aumento de possibilidade de queimada e pode ser danosa à arborização existente. Em relação a ligação de pontos de água, no momento o departamento não está efetuando esse serviço em áreas públicas abertas. Já as outras demandas, não são de responsabilidade do departamento.

Orientação: Prof. Gilberto Roldão

Edição: Alanis Mancini


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