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A clínica Vera Dantas e o psiquiatra Lula Wanderley propõem encontros populares na retomada pós-Covid
Por Fabiana Dias
Os médicos e artistas Vera Dantas, em Fortaleza, e Lula Wanderley, no Rio de Janeiro, adotam em suas atividades profissionais e propõem a produção de arte como mecanismo terapêutico e também voltado à transformação social. Para ambos, a doença não está apenas no corpo físico, mas também no flagelo social a que está submetida a sociedade contemporânea, seja em questões relativas à desigualdade social, ou nos impasses advindos do individualismo e de valores associados ao hedonismo na sociedade moderna.

Com o tema “A cultura e suas interfaces na saúde e na qualidade de vida da sociedade”, os dois médicos participaram de um debate em live no canal do Sesc-SP, no YouTube, no sábado (30). Ambos defenderam que, no pós-pandemia, a arte não seja apenas usufruída em grandes manifestações, mas principalmente nos locais em que as comunidades possam se reencontrar – com os cuidados sanitários ainda necessários – para a produção do que chamam de “arte coletiva”.
Em sua participação, o psiquiatra Lula Wanderley destacou a relação da arte com o sofrimento, que a aproxima da realidade, assim como aconteceu no pós-Segunda Guerra Mundial, período que deu origem ao neorrealismo. A intenção de ambos é aproximar a arte da vida cotidiana, para as ruas, de uma forma participativa, para auxiliar na reconstrução da realidade pós-covid. Para o médico, “a arte é uma comunicação com o mundo”.
O artista visual recomendou a arte como terapia que também auxilia no tratamento psiquiátrico. No mundo contemporâneo, com o advento da tecnologia e nas consequências advindas da hegemonia do capitalismo, as pessoas vivenciam o excesso de informação e de objetos em uma existência cada vez mais acelerada, individualista e competitiva, disse a médica Vera Dantas. Isso faz com que os indivíduos desvalorizem as angústias de ser humano, podendo aumentar a ocorrência de doenças mentais, como a ansiedade e a depressão, completou Wanderley.
Vera Dantas fez uma crítica à espetacularização da vida e da mercantilização da comunicação e da arte, buscando estimular as manifestações artísticas populares. “Uma coisa é ter uma dimensão comunitária, onde a gente compartilha as coisas. Outra coisa é ter esses espaços de virtualidade, que se colocam como espaços de espetacularização. De a minha vida virar um espetáculo que coloque em cena várias coisas, inclusive como fonte de lucro para alguns”, comentou.
Por ser médica do programa Estratégia da Saúde da Família, Vera está acostumada a adotar tratamentos comunitários em localidades de pouca infraestrutura. Ela diz que o uso da arte, entre elas o cordel e o teatro, ajuda a salvar muitas crianças no interior do Nordeste em processos de educação sanitária.
Também educadora, Vera relatou que a arte aproxima dos rituais de autocuidado e das formas medicinais da ancestralidade. Essa troca de experiências e acolhimento por meio da arte local promove o bem-estar da população mais carente, disse a médica referindo à população com a qual tem contato.
Os dois debatedores disseram considerar uso da arte como forma de expressão que não precisa de justificativa para acontecer, nem de talentos especiais. Wanderley recomendou que, em momentos de crise, como a que o mundo atravessa com a pandemia, a sociedade precisa escutar os artistas.
Acesse aqui a íntegra do evento sobre saúde e arte, promovido pelo Sesc-SP
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: Fernanda Almeida
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