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As artesãs transformam em motivo de alegria os brinquedos que seriam descartados
Por Bruna Neves e Vitória Lima
Essa ação teve início com a atitude de Geisa, de 64 anos, em separar as bonecas que encontra em meio aos materiais recicláveis. Ela explica que limpava e as entregava à sua neta, Maria Eduarda, que completou 14 anos recentemente, e agora não brinca mais com as bonecas.

Costureira Sônia da Silva, em sua casa, com algumas das bonecas que reformou e deu novas roupas (Foto: Bruna Neves)
Foi aí que ela encontrou as costureiras, que já faziam um trabalho artesanal para a comunidade de Cordeirópolis. Sônia da Silva, de 62 anos, revela que ficou emocionada ao receber as bonecas para reformar, pois já tem em sua família uma história parecida. Ela conta que sua mãe, Iracema Maria Rosa, que hoje tem 95 anos, passou por uma depressão, e para se distrair costumava juntar partes de brinquedos que encontrava jogadas na rua ou no lixo.
Com isso, Iracema montava bonecas novas e dava de presente às netas, e assim ela conseguiu se curar da depressão. Por isso, Sônia se sente feliz em realizar este trabalho, pois é uma forma de se conectar com a mãe, além de dar a outras crianças a oportunidade que ela mesma não teve. “Se ser criança é ter brinquedo, então eu não fui criança”, diz a costureira. “Por isso eu sei da importância de um brinquedo na vida delas.”
Junto com ela, Marilene dos Santos, de 60 anos, também faz restaurações. Ela comenta que não teve muito tempo para brincar durante a infância, não somente por não ter condição de comprar brinquedos, mas porque precisou cuidar dos seus sobrinhos desde muito nova. Para a costureira, o trabalho de restauração também é motivo de alegria, pois a sua primeira boneca foi encontrada no lixo, e ela afirma que era muito feliz com o presente.

Comerciante e costureira, Marilene dos Santos, em frente ao seu comércio, adaptado para sua costura (Foto: Bruna Neves)
“As bonecas também precisam de cuidado, de carinho, e são gestos que a gente aprende fazendo isso”, relata Marilene. Assim como Sônia, ela conserta cada defeito e costura roupas novas, renovando a vida dessas bonecas. “Todas recebem um tratamento pra princesa nenhuma botar defeito: banho, arrumação no cabelo, corte, penteado e figurino novo”, conta.
Uma das crianças que recebeu esse presente foi a Aline Tales, de 5 anos. Sua mãe, Luiza Tales, de 29, diz que ela foi brincar tão logo pegou a boneca nos braços, e agora não quer mais soltar. “Ela ficou feliz da vida”, comenta a mãe de Aline. “É muito bom poder dar esse presente pra ela, porque é uma coisa que a gente não pode comprar, e as bonecas são lindas, parecem novas.”
Vendo o resultado do seu trabalho, as costureiras querem expandir o projeto para recuperar mais brinquedos e ajudar cada vez mais crianças. Elas afirmam que, após a pandemia, pretendem montar um local de arrecadação e exposição não só das bonecas, mas também de outros brinquedos reciclados.
Dessa forma, as pessoas poderão levar o que pretendem doar, enquanto as bonecas que já passaram pela restauração ficam expostas para que as crianças levem para a casa. Além disso, outros artesãos que se interessarem pelo projeto poderão trabalhar voluntariamente na reforma dos brinquedos, levando mais variedade às peças doadas.
Orientação: Prof. Gilberto Roldão
Edição: Luiz Oliveira
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