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Lazer é compromisso ético e político, dizem especialistas

Alcyane Marinho e Priscila Mari apontam falta de política pública no Dia Mundial da atividade

Por: Bianca Velloso

Alcyane e Priscila no debate sobre o Dia Mundial do Lazer: um direito assegurado na Declaração da ONU (Imagem: Facebook)

Garantir que as pessoas tenham um tempo dedicado ao lazer – seja passeando no shopping, encontrando amigos, fazendo uma viagem ou até mesmo não fazendo nada – é um compromisso que deveria ser abraçado pela sociedade e cobrado dos governantes como um dever ético e uma obrigação política.

A avaliação foi feita nesta sexta-feira, 16, em palestra virtual por ocasião do Dia Mundial do Lazer, pelas pesquisadoras Alcyane Marinho, professora da Universidade do Estado de Santa Catarina; e Priscila Mari, professora de educação física da Prefeitura de São José-(SC). O evento foi promovido pelo Sesc-Osasco e transmitido na página do Facebook da instituição.

“A existência de um artigo na Declaração dos Direitos Humanos sobre o lazer configura a atividade como um compromisso ético e político”, afirmou a doutora em educação física Priscila Mari, apontando que não só o Estado deve assegurar esse direito, mas a sociedade como um todo deve se preocupar moralmente com ele.

“Embora sejamos seres plurais, existem elementos que nos unem. Um deles é justamente o fato de sermos sujeitos de direitos, do direito de ser humano”, frisou a docente para reafirmar a importância da Carta da ONU na regulação da vida social.

A pesquisadora mencionou o Artigo 24º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo texto prescreve: “Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive à limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas”. Mari ponderou que esse dispositivo aponta a necessidade de se entender que há diversas formas de lazer, alertando que é preciso possibilitar o acesso a ele para todos os grupos sociais, em especial aos que sempre foram excluídos da sociedade.

Para a também doutora em educação física Alcyane Marinho, especializada na área de estudos do lazer pela Unicamp, a atividade é uma necessidade humana e pode contribuir para mudanças morais e sociais. Segundo disse, as atividades voltadas ao lazer geram, além de possibilidades lúdicas, excelentes oportunidades formativas para o desenvolvimento pessoal e social.

“As reivindicações dos Direitos Humanos, bem como seu reconhecimento ou rejeição, podem ser considerados movimentos políticos, filosóficos ou até mesmo jurídicos”, argumentou Alcyane. De acordo com ela, é necessário garantir que os Direitos Humanos sejam assegurados para todos os cidadãos e pensados em escala planetária.

Como exemplo da necessidade de se garantir direito ao lazer, ambas as pesquisadoras citaram a situação a que foram submetidos os idosos na pandemia da Covid-19. Segundo lembraram, esse contingente foi isolado em razão de, potencialmente, apresentar maiores complicações se contraísse o coronavírus. No entanto, o isolamento ocorreu sem suporte algum para que os idosos pudessem continuar com o exercício da cidadania e um mínimo acesso ao lazer e às interações sociais. Não houve – de acordo com elas – nenhuma política pública voltada à preservação do bem estar psicológico desse contingente social.

Aqui, acesso ao debate sobre o Dia Mundial do Lazer.

Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti

Edição: Letícia Franco


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