Economia

Trabalho informal cresce 7,7% na RMC

Jovair e Josileine Salatti trabalham hoje vendendo cachorro-quente.
Foto: Gabriel Amaro

A rotina do vendedor ambulante, Jovair Salatti, tornou-se bastante corrida depois que ele e a esposa, Josileine Salatti, precisaram deixar os empregos com carteira assinada para adotarem o trabalho informal. No entanto, eles não estão sozinhos: em pesquisa divulgada pela Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) referente ao último trimestre de 2016, cerca de 45% da força de trabalho ativa no país é informal. Esse número equivale a 90 milhões de brasileiros (maior do que a população da Argentina). Dados divulgados em fevereiro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam 12 milhões de brasileiros desempregados – que, em julho, contudo, caiu 5,1% pela maior adesão do trabalho informal.

O economista Laerte Martins, em pesquisa assinada pela Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas), aponta que na Região Metropolitana de Campinas cerca de 26,7% da força de trabalho ativa é informal – 7,7% a mais que no ano passado. São 839 mil trabalhadores autônomos contra 847 mil com carteira assinada. Em Campinas, mais de 261 mil profissionais atuam em âmbito informal – número 8% maior do que o registrado em 2016 – o que corresponde a cerca de 24% da população campineira, quase 1/4 dos habitantes.

Por: Gabriel Amaro

 

Por Gabriel Amaro

Para Jovair e Josileine, que moram em Artur Nogueira, o trabalho autônomo veio como uma escolha atrelada as necessidades da família. “Quando minha filha tinha 5 meses, minha esposa trabalhava em uma loja de departamento e eu em uma empresa automotiva. Precisávamos deixá-la na escolinha, e ela não se adaptou”. Dessa forma, resolveram procurar uma opção que contemplasse suas necessidades. Por recomendação de um amigo que já trabalhava na mesma área, os dois resolveram abrir um carrinho de cachorro-quente e apoiar a economia da família nos lucros das vendas.

O vendedor afirma que dois grandes pontos positivos do trabalho autônomo são a flexibilidade de horários e a renda. “Se eu preciso estar levando minha filha ao médico, ou ela tem alguma reunião de escola, não tenho patrão para estar pedindo autorização – posso sair a hora que precisar”. Já do lado negativo, ele aponta a falta de finais de semana como sendo um fator. “Uma vez que o pessoal está se preparando para sair num sábado à tarde, a gente está se preparando para trabalhar. A vida social, nesse ramo de hot dog, você praticamente não tem”, ele ainda continua, “Um funcionário de uma empresa tem carga horário média de 190 horas mensais. Eu já fiz o cálculo, e eu e minha esposa trabalhamos 260 horas mensais”.

Jovair e Josileine optaram por sair da área que atuavam anteriormente e tentar algo novo, mas muitos trabalhadores preferem seguir com suas profissões. É o caso do técnico de informática Andre Cayers, que trabalha de forma autônoma há mais de dezessete anos. Procurado por diversas empresas (algumas, inclusive, de grande porte), ele conta que prefere trabalhar informalmente por achar mais justo. “Não existe contrato com essas empresas porque não acho justo um mês, que não tenha problema nenhum, eu receber por um trabalho que não fiz”.

Além das empresas que mantém contato, Cayers também oferece seus serviços pelo site Bicos – plataforma criada para divulgação de profissionais autônomos. Segundo dado do site, durante o ano de 2016, cerca de 11 mil acessos foram feitos da região de Campinas. Já em 2017, até o mês de agosto, este número subiu para 16 mil. Os cadastros de profissionais também apresentam quantias significativas: de janeiro de 2016 até agosto desse ano, mais de 38 mil profissionais foram inscritos para oferecerem seus serviços.

Workana, site que visa promover trabalho freelance, aponta que o estado de São Paulo, segundo dados retirados da plataforma, contempla 40% de profissionais freelance no Brasil. Dessa porcentagem, Campinas é responsável por 4%. Como no Bicos, os cadastros também aumentaram do ano passado para cá. Em 2016, pouco mais de mil profissionais de Campinas eram inscritos no site; já esse ano, houve crescimento de 132%, com mais de 3 mil usuários.

Na RMC, Campinas lidera a quantidade de projetos criados no Workana (1.284). Em seguida, aparecem Valinhos (142), Sumaré (141) e Americana (131). Em relação ao ano passado, o total de projetos da região cresceu 105%.

Guillermo Bracciaforte, cofundador do Workana, afirma que o aumento de trabalho informal e freelance advém de uma constante procura por autonomia e variedade de opções. “Isso acontece por necessidade, neste momento de crise, e também por preferência”, conta. (Orientação Rosemary Bars)

Por Gabriel Amaro

 


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