O desemprego cresce 1,5 nas cidades da região

Aumenta o número de desempregados na RMC em comparação com 2016


Postos de trabalho cresceram 66,5% entre 2016 e 2017, mas cientista social aponta que crescimento não é suficiente

 

O número de vagas de emprego aumentou entre o primeiro semestre de 2016 e o primeiro semestre de 2017 na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Nesse período foram criados 3.811 postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic). Esse número, porém, é inferior a quantidade de postos de trabalhos eliminados. De maio de 2015 a maio de 2016, foram eliminados 1,7 milhões de postos de trabalho. Já em maio de 2016 a maio de 2017, foram eliminados 853 mil.

Segundo a Acic, o desemprego na RMC cresceu pouco mais de 1,5% de julho de 2016 a julho de 2017. De acordo com o professor de Ciências Sociais da PUC-Campinas, Vitor Barletta Machado, esse problema ocorre por conta do desemprego acumulado. “Por mais que as vagas cresçam agora é muito pouco. Você cria novos postos em alguns setores, mas não são suficientes para cobrir o nível de desemprego”, diz.

A montadora, Natália Almeida, de 19 anos, procurou emprego por dois anos e meio, após completar o ensino médio em 2014, mas só conseguiu um trabalho em fevereiro deste ano. De acordo com ela, o desafio para conseguir começar a trabalhar foi a falta de experiência no mercado de trabalho. Ela conta que por falta de dinheiro, entrou como revendedora de perfumes em uma empresa junto com uma amiga, mas perdeu dinheiro. “Disseram que eu podia ficar rica nessa empresa, que no começo seria difícil, mas eu iria ganhar muito dinheiro e para quem está desempregado, uma proposta para ganhar de R$2 mil a R$4 mil reais é ótimo, a ganancia sobe” afirma. Ela iniciou no negócio e deu uma parcela para comprar os produtos e depois revende-los. “Só que é uma coisa que não vai para frente, ninguém bota fé em duas meninas de 19 anos”, diz Natália.

Em 2016, a montadora começou a vender doces na rua, fazia brigadeiros e vendia. Depois, conseguiu iniciar a faculdade de Design Gráfico e, a partir disso, as vendas aumentaram. “Eu e minha amiga fazíamos doces e conseguíamos juntar o dinheiro para pagar a mensalidade da nossa faculdade, conforme a demanda foi aumentando, pesquisei na internet outros doces para fazer e fiz aulas de culinária para aprender, as vendas estavam indo super bem, mas não estava gostando do curso de Design e parei”. Depois de trancar a faculdade, ela deixou de fazer doces. “Eu desanimei, porque na faculdade era onde eu mais vendia e acabei engordando 15kg, porque eu precisava experimentar os doces que fazia para saber se podia vender, então eu parei”. Somente neste ano, ela conseguiu um emprego como montadora de uma empresa, por conta de indicação de um funcionário. Além disso, a vaga só pedia ensino médio completo e não era necessário nenhum tipo de experiência.

 

Em 2015, o eletricista de manutenção, Nathan Simões da Silva, de 21 anos, estava descontente com a empresa em que trabalhava. Com indicação de um amigo, conseguiu uma vaga em uma empresa terceirizada, mas não foi avisado na entrevista que o emprego era temporário. Três meses depois foi demitido. “Troquei o certo pelo duvidoso. Para eles era mais fácil mandar embora as pessoas que tinham sido admitidas e estavam com contrato de experiência, assim contratam novos profissionais por três meses, finalizam as obras e não precisam pagar o direito de nenhum trabalhador, somente os dias trabalhados”. Ele mandou currículo em várias empresas, porém não conseguia encontrar um emprego. “Nunca chamavam nem para entrevista, porque não tinha vaga, mas eu não consigo ficar parado” diz. Com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) comprou ferramentas e começou a fazer trabalhos particulares como eletricista.

Em novembro de 2016, Silva conseguiu um emprego temporário em outra empresa terceirizada, também por indicação de um amigo. Após o término do serviço, o dono da terceirizada renovou contrato por mais dois meses, porém, os serviços eram numa empresa na Bahia. “Precisei conversar muito com a família, porque envolvia estudos e era época de Natal. Foram dois meses complicados”. Nathan recebeu uma proposta para trabalhar como funcionário efetivo na Bahia, mas negou por causa da faculdade. Já em casa, o eletricista recebeu uma ligação de outra empresa terceirizada para fazer entrevista e conseguiu o emprego atual como funcionário efetivo. 

 

Amanda Cardoso, de 20 anos, está desempregada desde 2014, ano em que saiu do ensino médio. Há três anos encaminha currículo para vários setores do mercado de trabalho, mas alega que não consegue emprego por nunca ter trabalhado. Ela iniciou a faculdade de Cinema em 2015, porém, trancou o curso um ano depois por pensar que não conseguiria estágio ou emprego na área na RMC e não possuía condições de morar e continuar a faculdade em São Paulo.

Amanda possui no currículo um intercâmbio, inglês fluente, espanhol básico e já viajou para mais de sete países. Por conta disso, deseja conseguir um serviço em agência de turismo. “Eu me interesso por tudo relacionado a línguas diferentes e viagens, então eu gostaria muito de ajudar as pessoas com isso. Eu tenho feito bastante entrevista, por causa de indicações, mas não sou contratada porque nunca trabalhei em nenhuma agência de turismo”.

 

O cientista social Vitor Barletta Machado explica que as empresas não contratam  jovens sem experiência por ser mais fácil contratar quem já sabe fazer o serviço. Ele acredita que é necessário um Programa de Incentivo, para estimular as empresas a contratar os jovens. “O ensino médio não prepara para o mercado de trabalho, precisaria de uma política especifica”, afirma.

Por Natalia Santana

Vitor Barletta Machado diz que o comércio é o setor que mais emprega, porém demora mais para crescer e se recuperar diante da crise. O setor industrial pode focar no setor exportador, garantindo a saúde econômica da empresa no exterior, mas o impacto disto no mercado interno, em relação à criação de vagas de emprego e contratação de profissionais, é pequeno no começo. “Até gerar serviços novamente vai um tempo, porque as empresas têm dívidas a pagar e uma série de coisas que se acumulam no meio do caminho” explica. No setor da Construção Civil, há, segundo ele, alguns empreendimentos sendo construídos que geram emprego, mas também é um segmento estagnado. “Logo as vagas de trabalho caem de novo, o pessoal que lida com imóveis tem dito que está difícil de vender e de alugar também”, conta o professor.

 

 

Por Natalia Simões

De acordo com o Caged, os dados de desemprego foram negativos, apesar de estarem positivos no acumulado do ano, o que faz prever uma tendência de desemprego, entre 10,5% e 11,0% da População Economicamente Ativa (PEA), podendo se recuperar só em 2018. O professor de Ciências Socias da PUC-Campinas não acredita nisso. “Eu acho otimismo exagerado a tendência de recuperação em 2018, e o que recuperar, não será com o mesmo potencial de antes, porque a gente já reformou a regularização trabalhista, já foi flexibilizada, então você vai gerar postos de trabalho com remuneração mais baixas”, afirma. A tendência, relata, não é ganhar mais, é ganhar menos. (Orientação Rosemary Bars)


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