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OPINIÃO – Giulia Somel mostra sensibilidade vocal, boas escolhas sonoras e momentos de profundidade
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Por Letícia Borges
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Giulia Eduarda Lemos de Souza, a Giulia Somel, de 22 anos, nasceu em São Vicente – SP e vive em Campinas desde 2018. Sua relação com a música vem da infância, muito ligada à igreja e ao incentivo familiar, o que aparece no conjunto de singles lançados entre 2020 e 2024. Gravadas no Átrio Estúdios, em Oscaco (SP), as faixas mostram uma artista que entende o universo de adoração contemporâneo e que amadurece ao longo dos anos.
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Considero a produção musical consistente e bem finalizada. Os arranjos utilizam bateria, baixo, guitarra e teclado como base, com presenças pontuais de violino que enriquecem a atmosfera emocional das músicas. Essa escolha mantém o repertório moderno, limpo e acessível para o público que consome pop-gospel, sem recorrer a exageros. A sonoridade funciona porque dialoga diretamente com quem busca composições de adoração mais atuais.
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As letras de Giulia são compreensíveis e carregadas de sinceridade. Por serem fáceis de assimilar e de gravar, se conectam com rapidez ao público, o que se torna um ponto positivo dentro do gênero. Essa acessibilidade, porém, pode limitar o aprofundamento temático em alguns momentos, tornando certas faixas previsíveis. Ainda assim, quando a artista decide explorar reflexões mais densas, entrega resultados marcantes e maduros.
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O melhor exemplo disso é “Paraíso” (2023), que traz o verso: “não é do paraíso que preciso, mas é de você; me ajude a te amar pelo que és e não pelo que podes fazer”. A música rompe com o discurso da fé baseada em recompensa e coloca a comunhão com Deus como valor central. É uma composição reflexiva e sensível, que revela a evolução da artista como letrista e como intérprete espiritual.
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Outras faixas seguem uma estrutura tradicional do worship (adoração), mas mantêm a emoção e a coerência estética. Em “Até Transbordar” (2020), há intensidade no trecho “então vem e usa-me, então vem, enche-me até transbordar”. “Santidade” (2022) reforça a ideia de presença e acolhimento com “nunca me deixa ou me abandona, sei que estás aqui”. Já “Emanuel” (2023) se destaca pela humildade lírica: “não merecia seu favor e mesmo assim se entregou, escolheu me amar do jeito que sou”. Em “Casa” (2024), a mensagem de confiança aparece em “os teus planos são maiores e melhores do que os meus”.
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Giulia Somel demonstra sensibilidade artística, boa produção e direcionamento claro. Suas músicas alcançam o público que deseja atingir, com arranjos bem executados e estética visual alinhada ao worship contemporâneo. O ponto mais relevante é que a artista começa a encontrar espaços para aprofundamento lírico, e quando isso acontece, sua música se torna ainda mais rica.
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O desafio da cantora é equilibrar a acessibilidade que caracteriza sua identidade com momentos de maior complexidade poética e espiritual. Se continuar explorando esse caminho, Giulia tem potencial para crescer não apenas dentro do gênero, mas também como voz significativa no cenário gospel atual.
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Orientação e edição: Adauto Molck
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