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“Eu tô aqui pra mostrar que ainda estou na ativa, que a troca no palco é o que me mantém vivo”, disse Pelanza
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Texto e Imagens: Guilherme Tomesanni
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O ex-Restart, Pelanza, apresentou um show sucinto, diferente dos quais estava acostumado nos seus dias de glória, o Festival de Rock Nacional no The Hops Tap House em Indaiatuba-SP, organizado pela banda Kamikaze, que reuniu outras duas bandas e cerca de 350 pessoas em uma noite de tributo ao rock brasileiro.
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“Eu tô aqui pra mostrar que ainda estou na ativa, que a troca no palco é o que me mantém vivo” fala essa que o ex vocalista do Restart, fez questão de confirmar enquanto os aplausos e gritos nostálgicos ecoavam no bar. O evento celebrou o rock nacional ao som de bandas independentes com repertório de Charlie Brown Jr por kamikaze, O Rappa por O Instinto Coletivo, CPM 22 por Contagem Regressiva e Claro trazendo consigo os fãs, Pelanza.
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O evento começou cedo, poucas pessoas, ninguém cantava as músicas, mais noite adentro, quanto mais a música melhorava, mais o público ia chegando mais a casa enchia. Sobre a idade da plateia: todas as idades, afinal a banda Restart no seu auge atraia tanto a juventude quanto as crianças, que hoje são os adultos de 20 a 35 anos que compareceram no festival. De acordo com o produtor e vocalista da banda Kamikaze, Tato Bicudo, o show refouçou o gênero, afinal: “Sem as bandas pequenas o rock nacional morre. Porque os donos das músicas já não estão mais na ativa”, disse Tato.
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Entre as atrações, Will Falcão, da banda O Instinto Coletivo, se destacou com um show de tributo a O Rappa, enquanto cantava, se fazia de um “pescador de ilusão” no pessoal com sua voz idêntica ao Marcelo Falcão, vocalista da banda original. Ele disse que estava apreensivo, afinal nunca havia tocado para um público “novo e velho” ao mesmo tempo.
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Mesmo com essa diferença de idade o público foi ao delírio, claro que as mais esperadas foram as músicas do Restart, mesmo assim com as influências que Will carrega do rock clássico ao alternativo, se impressionou com a boa recepção do público. E ainda falou sobre sua frustração com o gênero. “Cara o rock nacional na minha humilde opinião não dá para falar que tem o mesmo poder anos 80, 90… Tem bastante banda que sobreviveu e continua tocando mas ainda tem aquela parada que eu falei falta pro pessoal abraçar um pouquinho a ideia do novo. Ainda se pega muito no passado e dá pouca oportunidade para as novas bandas”.
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Pelanza cantando “Menina Estranha” // Will Falcão do Instinto Coletivo // Tato Bicuda da kamikaze
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ATRAÇÃO PRINCIPAL
É mais amor do que dinheiro”, disse Pelanza. E falou da importância de espaços mais fechados como esse: “O show intimista tem uma troca real e intensa com o público. É isso que me move”. Junto com ele, Tato, que decidiu não parar de cantar quando estava na sua vez de passar o microfone e “lançou” um dueto com o astro na hora. “Pra mim a virada de chave vai ser quando eu estiver no palco com a minha banda mais o Pelanza”, disse Tato antes disso tudo acontecer.
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O vocalista ainda cita que a ideia do evento, era dar continuidade a uma cena que, em muitas cidades, resiste com esforço. “A ideia é fortalecer o rock nacional. Queremos fazer isso mais vezes. A escolha das bandas foi feita pensando na energia e na entrega de palco. É o tipo de festival que não quer ser grandioso, quer ser verdadeiro”, explicou Tato.
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Já para Laércio, sócio proprietário do The Hops Tap House, abrir o espaço para esse tipo de evento é uma aposta na cultura e na diversidade musical. “É importante para o rock não morrer; senão o sertanejo já vai tomar conta”, falou rindo e dando um adendo aos números: “foram 300 ingressos vendidos previamente e estavamos esperando mais 50 pessoas”. Esse número foi batido e a casa ficou cheia.
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O The Hops tem sido uma vitrine para artistas locais de rock a sertanejo. O bar mantém uma programação regular de shows e busca equilibrar entretenimento e valorização de novos nomes locais.
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VOZES DA PLATEIA
No meio da galera animada, os irmãos Victória Delamana, 34 anos, empresária, e André Miletto, 35, empresário, chamavam atenção pela empolgação. “Eu vim porque minha amiga é casada com o Pelanza”, contou Victoria, rindo. Já André foi mais espontâneo: “Ia fazer um churrasco em casa, começou a chover e acabei vindo pra cá. Melhor decisão que eu tomei.” Ambos ficaram sabendo do evento através desse contato que tinham, foi uma recomendação espontânea e não esconderam o entusiasmo. “Está ótimo, não mudaria nada, só a fila pra pagar a conta. Devia ter um aplicativo para isso”, brincou André.
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Quando o assunto virou o papel do rock hoje, André foi direto: “Tem que ter mais disso aqui no interior. Eu não gosto muito de sertanejo, gosto é disso aqui, de rock. Falta isso por aqui.” Ele opinou sobre o gosto musical das novas gerações. “Os jovens de hoje não têm contato com música boa. Antigamente tocava rock até no recreio da escola, agora é tudo ritmo, sem melodia.” Os irmãos riram, dividindo gostos diferentes, ele fã de Pearl Jam, ela de Backstreet Boys, mas com um ponto em comum: a vontade de curtir o som.
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“Queremos transformar essa ideia em algo fixo, um circuito de festivais que valorize o rock nacional de verdade”, disse Tato. Em outro momento, Pelanza deixou uma mensagem para os jovens fãs do gênero: “As novas gerações têm que se motivar a montar banda com amigos, na escola, no bairro, é isso que faz o rock se renovar, as bandas novas ajudam a divulgar as bandas antigas. E por sua vez traz o gênero à tona novamente, eu espero que isso aconteça!”
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Evento do dia 18/10 em Indaiatuba celebrou o rock nacional ao som de bandas independentes
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Orientação e edição: Adauto Molck
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