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OPINIÃO – Espaço histórico de Campinas ganha melhorias estruturais, mas adaptação ainda é necessária
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Texto e Imagens: Júlia Sabatin
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A reforma do Mercado Municipal de Campinas, conhecido popularmente como Mercadão, foi concluída em julho de 2025, dois anos após o início das obras em julho de 2023. Prevista para durar 12 meses, a obra sofreu sucessivos atrasos, contando com a reabertura ao público em 1º de setembro de 2025. O atraso, por si só, já levantou a questão de até que ponto a longa espera se justificou diante dos resultados.
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Um mês após sua abertura, os questionamentos sobre as melhorias prometidas, como a modernização dos boxes, a implantação de acessibilidade, a criação de um mezanino gastronômico e a reorganização do espaço interno, ainda ecoam pelos corredores. A dúvida que fica é se a reforma conseguiu, de fato, transformar o tradicional mercado em um espaço mais funcional e atraente para clientes e permissionários.
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Vale destacar que o mezanino, prometido como grande atrativo, ainda não foi entregue e permanece em obras, reforçando a sensação de promessas parcialmente cumpridas. Outra cena curiosa é que o novo Mercadão segue lado a lado do velho, já que a tenda improvisada que serviu como espaço temporário ainda permanece erguida, lembrando diariamente o período de transição e os desafios enfrentados.
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A entrega do mezanino gastronômico não aconteceu // Tenda provisória do lado de fora do mercadão
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O atual convívio entre o antigo e o novo evidencia as marcas deixadas pelo período de obras, uma vez que realocados para a tenda no estacionamento, os permissionários enfrentaram chuvas, calor intenso e até inundações. Entre julho e setembro, reorganizaram seus boxes para receber o público, mostrando que a modernização vai além das mudanças físicas, envolvendo também uma adaptação constante.
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Conversando com os permissionários, foi possível perceber que a lembrança do período nas tendas improvisadas ainda pesa, houve perda de mercadorias, queda no movimento e sensação de abandono. Se por um lado o espaço mais moderno oferece potencial para atrair novos públicos, por outro, a transição impõe custos e desgastes que nem sempre são percebidos pelo cliente final. É aqui que a pergunta se torna inevitável: a modernização foi pensada para facilitar ou para embelezar?
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Antes mesmo de se acostumarem ao novo layout e às mudanças internas, os clientes precisam, de fato, voltar a frequentar o Mercadão. No primeiro mês após a reabertura, os corredores ainda mostram espaços vazios e movimento tímido, revelando que reconquistar o público será um dos maiores desafios. Afinal, não basta modernizar a estrutura: é preciso voltar com o vínculo histórico e afetivo que faz do mercado umas das sete maravilhas da cidade.
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Corredores internos que antes viviam lotados, agora passam por dificuldades para atrair o público
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Ao comparar promessas e realidade, fica claro que o Mercadão deu passos importantes, como a entrega da acessibilidade, mas deixou lacunas, como o mezanino gastronômico que ainda não foi entregue, e alguns problemas práticos que continuam a aparecer, como a inundação nos dias de chuva. É como se a obra tivesse sido concluída, mas o projeto ainda estivesse em teste.
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A revitalização do Mercadão não pode ser medida apenas pelas novas tintas das paredes ou pelo novo estilo dos boxes. A verdadeira modernização está em equilibrar tradição e inovação, garantindo que os permissionários possam trabalhar dignamente e que os clientes sintam prazer em voltar a frequentar o espaço. Hoje, o que se vê é mais um capítulo de transição do que um ponto final, o Mercadão ressurge renovado, mas ainda precisa provar que está à altura da espera e das promessas.
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Orientação e edição: Adauto Molck
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Reforma do Mercado Municipal de Campinas foi dita como ‘concluída’ em julho de 2025
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