Entrevistados apontam pouco aprofundamento da mídia brasileira e falta de escuta dos afetados pela reforma
Por Bárbara Dário, Bárbara Marçal, Juliana Lamussi, Lorena Bonfá, Luiza Maia

O novo ensino médio tem sido objeto de críticas de inúmeros estudantes, professores e famílias dos alunos. Para a doutoranda em Educação e Políticas Públicas da PUC-Campinas, Júlia Cabral Rinaldi, falta aprofundamento na imprensa sobre esse tema. “A mídia muitas vezes dá mais espaço a especialistas e formuladores de políticas públicas, relegando a segundo plano as vozes daqueles diretamente afetados pela reforma”, declarou Rinaldi, destacando a insatisfação de estudantes, professores e famílias que se sentem pouco representados nos debates.
Marta Avancini, integrante da equipe executiva da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), também alerta para essa falta de aprofundamento e para a necessidade de acompanhar o processo de adaptação nas escolas. Segundo Avancini, as reportagens sobre o tema tendem a perder visibilidade conforme surgem novos assuntos, deixando de lado os desafios cotidianos de alunos e professores. “Acho que apresentar visões diferentes seja a essência do jornalismo, mas a polarização não abre espaço para o confronto, análise e contemporização de pontos de vista diferentes”, ressalta a jornalista. Ela reforça que a complexidade da reforma exige uma cobertura que vá além dos discursos oficiais e se atente às mudanças vivenciadas em sala de aula.

A professora Tatiane Artioli, que leciona redação e gramática no ensino médio, reforça as observações. Segundo ela, o novo ensino médio aprofundou a disparidade entre ensino público e privado. “O modelo está fazendo crescer a diferença entre as escolas, pois as particulares mantêm o foco nos vestibulares, enquanto as públicas diminuem a carga horária de matérias obrigatórias para priorizar os itinerários”, afirmou.
Edição: Mariana Neves
Orientação: Prof. Artur Araújo

