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Em Campinas, bibliotecas terão acervo digital aberto

Além da facilidade de acesso, a digitalização também é impulsionada por outro fator, o ambiental

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Por: Bianca Velloso

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Abrigando quase 108 mil volumes físicos, nenhuma das cinco bibliotecas públicas existentes em Campinas possui a opção de acervo digital. A criação dessa modalidade de acervo e oferecimento desse serviço para a população campineira faz parte do Plano Municipal de Cultura.  Renata Alexsandra, coordenadora das bibliotecas públicas de Campinas explica em qual etapa do processo de criação do acervo digital a cidade está. Ouça abaixo:

A gestora destaca que a principal dificuldade é financeira e consequentemente falta de mão de obra. “Temos poucos servidores para executarem tais serviços que exigem tempo e concentração, sendo que temos que dividir o tempo com atendimento ao público. Precisamos que nossos gestores invistam nessa área e precisamos crescer como equipe”, disse Renata Alexsandra.

Biblioteca Municipal Professor Ernesto Manoel Zink, em Campinas (Foto: Bianca Velloso)

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O biblioteconomista Gustavo Heen explicou que a digitalização de livros não é somente fazer cópias de livros, o processo envolve questões legais, como os direitos autorais. “Oferecer um serviço digital é um serviço caro. É preciso adquirir diversas licenças, assinar com bibliotecas que oferecem esse serviço”, explicou.

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Para ter o livro totalmente digitalizado é preciso que ele caia no domínio público, como explica a diretora do curso de biblioteconomia da PUC-Campinas, Valéria Gouveia. Para isso, é preciso esperar 70 anos desde a publicação do volume, antes disso, apenas capítulos podem ser digitalizados para fins educativos.

Dispositivo para leitura de livros digitais (Foto: Bianca Velloso)

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Além da facilidade de acesso, a digitalização também é impulsionada por outro fator, o ambiental. “O mercado editorial está deixando de produzir no papel em função da sustentabilidade e do preço”, disse Valéria Gouveia.

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A professora do Departamento de Informação e Cultura da ECA-USP, Ivete Pieruccini, defende a criação desse tipo de acervo, mas lembra que a criação dele não anula a importância do físico.  “Efetivamente as coleções digitais viabilizam e facilitam uma série de acessos. Agora isso não quer dizer que as coleções em formato analógico devam ser extintas. Na cultura não se constrói destruindo, mas articulando”, disse Ivete.

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Embora ainda não contem com o serviço digital, as bibliotecas públicas de Campinas oferecem o serviço de empréstimo de livros físicos. Enquanto o serviço não está disponível na cidade, os moradores podem acessar o acervo digital da Biblioteca Nacional.

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Orientação e edição: Prof. Adauto Molck

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