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Reuniões proporcionam sentimento de pertencimento, segundo docente da Faculdade de Letras da PUC-Campinas
Por: Elton Mateus
Clubes de leitura estão se adaptando ao novo cenário de restrições desde a aplicação das medidas de segurança contra o novo corona vírus. As ferramentas digitais deram a oportunidade de manter ativa a interação entre os participantes, além de tornarem os clubes atrativos para pessoas de diferentes localidades, que não necessitam mais de um deslocamento para acompanhar as discussões.

Profa. Ana Cláudia Fidelis salienta os benefícios dos debates literários durante o isolamento (Crédito: Reprodução)
Segundo a doutora e professora no curso de graduação de Letras da PUC-Campinas, Ana Claudia Fidelis, o aspecto fundamental que um clube de leitura propõe é a sensação de pertencimento e senso de humanidade, tão necessários para o momento atual. A linguista ressalta que além da proximidade por meio da leitura, os participantes encontram espaço para refletir sobre o mundo e questões pessoais.
O encontro realizado em abril foi bem emotivo, segundo a docente, que participa de clube sem nome definido, organizado pelo WhatsApp e que reúne mulheres de diferentes formações acadêmicas, tendo como inspiração autoras clássicas e contemporâneas.
O convite para participar desse grupo de leitoras veio por meio de uma amiga, em agosto do ano passado. Na época, Ana Cláudia já fazia parte de outro clube, mas esse não sobreviveu ao isolamento. A professora diz que há um tempo não conseguia se envolver ativamente nas reuniões presenciais, mas com os encontros virtuais ficou mais fácil para acompanhar os debates. A experiência já era conhecida pela professora, pois pouco antes das mudanças causadas pela pandemia, a fundadora e mediadora do clube de leitoras foi para os Estados Unidos, ocasionando uma adaptação virtual, mantida no período de quarentena.
“A questão do isolamento social começa a pesar de maneira muito forte e o espírito vai ficando meio comprimido”, desabafa a professora, que relembra da reunião de abril, onde ela e os membros do clube discutiram a escritora britânica Virginia Woolf, levando angústias e questões existenciais para a conversa. “Isso gera a sensação de que você pertence a um grupo e que aquelas pessoas estão próximas e conectadas de muitas maneiras”, expressa a docente.
O formato remoto abriu a oportunidade para mulheres de diferentes cidades participarem dos encontros e, após o início do isolamento social, quatro novas participantes se juntaram ao grupo, segundo Ana Cláudia.

Para o historiador Victor Menezes, clubes de leitura ajudam na produção do conhecimento em período crítico (Crédito: Arquivo pessoal)
Troca de conhecimento – Algo semelhante é relatado pelo historiador e escritor Victor Menezes, que hospedado em Recife tem conseguido mediar o Clube do Livro Cultura & História ao lado de Dominique Thielemann, em Campinas. O grupo deixou de se limitar a região e logo em seu segundo encontro virtual, onde foi anunciada a discussão do livro A Garota Dinamarquesa, do escritor norte-americano David Ebershoff, surgiram interessados de outras cidades.
“O momento já está bem difícil e, se a gente parar de ler, pode ser ainda pior”, analisa Menezes, que passou a organizar as reuniões com os participantes do clube por meio do aplicativo Hangout. Ele diz que sentiu a necessidade de não deixar o grupo parar suas atividades mesmo durante o isolamento social e que, no início, teve receio sobre a funcionalidade do modelo remoto. “No fim, a ferramenta foi bem recebida”, diz. Ele também defende que as discussões sobre os livros são importantes para a produção de conhecimento, além de manter as pessoas ativas e com as mentes ocupadas no atual momento crítico vivido pela sociedade. “Como leitor eu vejo a literatura sendo algo essencial na minha vida e, como historiador, ela é essencial para pensar a sociedade”, afirma.
O Clube do Livro Cultura & História existe há dois anos e tem sede fixa na livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em Campinas. Menezes conta que a mediação feita por historiadores contribui para as discussões que levam em conta o momento histórico em que as obras foram escritas e o autor viveu. A seleção dos livros é feita a partir de questões étnicas raciais, de gênero, sexualidade e nacionalidade. No próximo mês, o grupo deve discutir a obra O Centésimo em Roma, do escritor gaúcho Max Mallmann.
Orientação: Profa. Cecília Toledo
Edição: Yasmim Temer
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