Cidades/Geral

Museu em Campinas está abandonado

Felipe Bettarello

O acervo do Museu da Cidade de Campinas está ameaçado por conta do descaso do Poder Público com o patrimônio cultural do município. Cerca de seis mil peças, que incluem itens da cultura popular, indígena e folclórica da cidade, não possuem um local adequado para armazenamento e sofrem com a deterioração.

Em 2015, parte do material precisou passar por uma limpeza, após ficar exposto no antigo prédio da Lidgerwood, onde funcionava o Museu, no centro da cidade. O edifício recebeu a última manutenção em 1994 e tem diversos problemas de infraestrutura que prejudicaram o acervo, como infiltrações nas paredes, goteiras e janelas quebradas. Isso também facilitou que pombos entrassem e sujassem algumas peças. Sem uma previsão de restauração do local e após o trabalho de higienização e catalogação, os itens foram embalados e guardados em uma sala da Estação Cultura.

Dois anos depois, o museu foi reaberto para exposições na Casa de Vidro, novo Centro Multicultural de Campinas, localizado no Lago do Café, no Taquaral, para onde o acervo também foi transferido. Sem uma reserva técnica, espaço físico usado pelos museus para o armazenamento seguro dos materiais, e colocadas em local sem controle de acesso e visível ao público, as peças estão guardadas em caixas de papelão ou embaladas em tecidos e jornais. Além disso, a arquitetura do novo espaço não favorece a guarda adequada do acervo, uma vez que as enormes janelas de vidro permitem a incidência direta da luz solar, que deteriora os itens.

A coordenadora de Extensão Cultural de Campinas, Mary Ângela Biason, diz que a Secretaria de Cultura tenta melhorar a estrutura dos museus da cidade, mas a falta de verbas é o principal impasse: “Nós fazemos o possível para preservar o acervo da melhor forma dentro da nossa realidade. A mudança para a Casa de Vidro foi um passo importante, porque lá as peças estão sendo melhor cuidadas. É o sonho de todo museu ter um local adequado para o seu material, mas é algo difícil de se conseguir”, afirma. De acordo com Mary, nenhum dos sete museus sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Cultura de Campinas possui reserva técnica ou espaços preparados para armazenar os objetos.

Cerca de 6 mil peças do acervo não estão em um local adequado para armazenamento. Foto: Felipe Bettarello

Além de organizar fisicamente o material de um museu, uma reserva técnica possui temperatura, umidade e luminosidade controladas para preservar a integridade das peças em longo prazo. Para o museólogo e antropólogo Artur Davinesi, pesquisador no Centro de Memória (CMU), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a construção de uma reserva técnica para o Museu da Cidade é urgente. “A falta de reserva técnica é um problema na grande maioria dos museus públicos do Brasil e, no caso do Museu da Cidade, é maior ainda, pois não estamos falando de um acervo comum. São muitas plumagens, cestarias e outros itens frágeis de origem orgânica que sofrem com a deterioração mais facilmente e que podem ser perdidos se não forem tomados os devidos cuidados”, diz. Criado para difundir e preservar a história e a cultura de Campinas, o Museu da Cidade é uma fusão entre os museus Histórico, do Índio e do Folclore, que funcionavam no Bosque dos Jequitibás, até 1992, quando o acervo foi transferido para a sede no prédio da Lidgerwood.

Quem visita a nova exposição, no Lago do Café, consegue perceber os sinais de deterioração em algumas peças. É o caso do corretor de imóveis Valdinei Sobrinho, de 49 anos, que trouxe a esposa e o sobrinho para conhecer o novo espaço, inaugurado em 28 de setembro. “Dá para perceber sim que algumas peças estão faltando pedaços, enferrujadas, sujas. A gente entende que são coisas antigas, mas acho que poderiam ser melhor cuidadas. Se continuar assim, não dá para saber se as próximas gerações vão poder conhecer essa parte da história que estamos vendo hoje aqui”, reclama.

O acervo do Museu foi transferido para a Casa de Vidro. Foto: Felipe Bettarello

 


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