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Tratamento alternativo com cachorros não exige ambiente específico por parte das instituições

Por Laiz Marques

Em Campinas, a Terapia Assistida com o auxílio de animais é desenvolvido por instituições certificadas para o atendimento, como a Ateac e o Medicão. O uso do tratamento combinado com as medicações necessárias para cada paciente produz resultados a longo prazo.

A Terapia Assistida por Animais surgiu na Inglaterra com o objetivo de tratar doentes mentais em 1792, mas a relação animal-humano intriga filósofos, pensadores e cientistas desde a Grécia Antiga. As atividades desenvolvidas nesse tipo de tratamento contribuem para o desenvolvimento das relações, da afetividade e do controle do stress e, atualmente, tem sido usada para tratar diferentes deficiências e problemas de desenvolvimento, como paralisia cerebral; desordens neurológicas, ortopédicas e posturais; comprometimentos mentais como a Síndrome de Down, ou sociais, como os distúrbios de comportamento, autismo, esquizofrenia e psicose.

É importante ressaltar que o trabalho exige uma equipe especializada para escolher o método adequado a ser utilizado e acompanhar a melhora do paciente. Veja alguns dos benefícios do tratamento:

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Imagem: Divulgação

De acordo com a psicóloga e coordenadora técnica da Ateac, Helena Gomes, uma Organização Não Governamental que atua junto a instituições, hospitais e centros de saúde em Campinas, não é necessária uma determinada infraestrutura para que os atendimentos sejam realizados. “O lugar varia conforme a instituição. Na Pestalozzi [entidade atendida pela Ateac] nós atendemos em uma quadra e no HC nós atendemos tanto nos leitos quanto em um pátio que eles têm na ala da pediatria”, comenta a psicóloga.

Além disso, “os atendimentos da Ateac realizados em hospitais e instituições não são cobrados. A ONG mantém estes atendimentos com recursos próprios obtidos através de vendas de camisetas e doações. São cobrados apenas os atendimentos particulares, mas cada caso é avaliado pela direção”, informou a instituição.

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Pátio do Hospital das Clínicas onde é realizada a terapia                              (Foto: Laiz Marques)

A terapia pode ser desenvolvida com qualquer pessoa sem restrições de idade, apenas não podendo ser administrada em pacientes com doenças contagiosas ou que tenham alguma restrição quanto ao contato com o animal. Um fator relevante para os cachorros realizarem esse atendimento é o adestramento, explicado pela psicóloga a seguir:

A pedagoga Maura Sundfeld, do Hospital das Clínicas da Unicamp, explicou que os cachorros, além do adestramento, precisam passar por um banho de clorexidina, substância desinfetante para combater bactérias, antes de subirem para a ala da pediatria. Os animais maiores permanecem no pátio com algumas crianças, e os menores sobem no colo dos voluntários e são levados aos leitos.

Maura acredita que “ todos os hospitais têm a capacidade de viabilizar a Terapia Assistida por Animais. As pessoas deviam se empenhar para que o projeto de lei fosse aprovado, porque é uma coisa incrível, as crianças esperam pelo dia de ver os cãezinhos.”

Laiz Marques

Cachorros voluntários da ONG Ateac                                                       (Foto: Laiz Marques)

O projeto de lei nº 4445/2012 do deputado federal Giovani Cherini tramita na Câmara dos Deputados desde 2012 e está em caráter conclusivo para ser analisado pelas comissões de seguridade social e família e de constituição, justiça e cidadania. A lei, em suma, tornaria possível a terapia para pessoas atendidas pela rede SUS.

Segundo a advogada Larissa Vida, “do ponto de vista jurídico a implementação do TAA seria possível já que os estudos científicos são amplamente favoráveis a essa terapia e com ótimos resultados”. Larissa informou também que, além desse projeto, existem leis estaduais para serem aprovadas, mas para que convênios sejam firmados com ONG’s é necessário que tenham Certificação Planetree, instituído por uma organização americana que reconhece o atendimento de saúde humanizado, e seguir comprovadamente as rígidas normas e protocolos da Organização Mundial de Saúde.

No Brasil, apesar dos poucos estudos realizados sobre o tema, a utilização de animais na terapia e o interesse da prática por profissionais de saúde têm aumentado. No entanto, a falta de regulamentação da prática limita a sua aplicação em alguns ambientes, como clínicas e hospitais.

No vídeo abaixo você pode conferir a pedagoga Maura contando como foi a primeira experiência das crianças com os cachorros no HC da Unicamp, o que resultou na implementação do projeto semanal.

Reportagem CBN

Edição: Bárbara Pianca


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