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Como funciona o mercado de dublagem no Brasil?

Por Vanessa Dias

Mesmo vinte anos após a dublagem de Cavaleiros do Zodíaco, o estúdio responsável pela tradução da nova animação manteve a dublagem original de todos os personagens (Crédito: Divulgação)

Difícil encontrar um brasileiro que nunca assistiu a um filme dublado. Ainda que alguns prefiram os legendados, certamente ao menos já ouviram falas clássicas dubladas nos estúdios brasileiros, como “Scooby Doo, onde está você, meu filho?”. Quando ouvimos algumas vozes conhecidas sendo dubladas em filmes ou na televisão, é normal sentir curiosidade em saber quem está por trás daquela voz. Como funciona, afinal, o mercado de dublagem no Brasil?

“Primeiramente, é preciso entender que não existe dublador. Você precisa ser ator, e ser formado em teatro, com o DRT, é fundamental. Entrando em um curso de especialização, nós ensinamos a técnica e praticamos muito, para que o ator saia pronto para esse mercado”, explica Hermes Baroli, dublador e editor chefe do Estúdio Dubrasil de São Paulo.

Para ter o DRT (ou seja, o registro profissional de ator), é preciso se matricular em curso de teatro que o habilite. Geralmente, esses cursos duram entre um e três anos. Após concluir o curso, o ator ou atriz estará qualificado para participar da dublagem de filmes, programas de televisão e, como é mais comum no começo da carreira, dublar pequenos comerciais internacionais ou ceder a voz para serviços públicos.

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Em entrevista, o dublador Hermes Baroli explica detalhes sobre a profissão (Crédito: Vanessa Dias)

O mercado é crescente no Brasil. Segundo a última pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, feita em 2012 e divulgada em dezembro de 2013, 56% dos brasileiros preferem assistir a filmes dublados nos cinemas, enquanto 37% optam pelos legendados. 7% da pesquisa é indiferente ao assunto.

Os principais eixos do mercado no Brasil são Rio de Janeiro e São Paulo. Só na capital de São Paulo, existem vinte estúdios de dublagem e duas academias profissionalizantes – a Dubrasil e a Universidade de Dublagem, idealizada pelo ator Wendel Bezerra, que dá voz para personagens animados como Bob Espoja e Goku, da animação japonesa Dragon Ball.

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Dublador Marcelo Campos durante um de seus trabalhos (Crédito: Divulgação)

Apesar da boa fase para dublagem no Brasil, o mercado ainda é restrito. “Por ser um mercado de atores que dotam de uma habilidade específica, os profissionais querem fechar o mercado o quanto puderem. Entra quem tem talento e/ou paciência. Quem tiver paciência, mesmo sem tanto talento, acaba ficando. Mas quem tem talento, mas não paciência, acaba saindo”, afirma Baroli.

Paulo Valone, ator que está no quarto mês de curso de dublagem, sabe que precisa trabalhar muito para se destacar. “Eu comecei o curso para acrescentar meu currículo. É um trabalho que sempre almejei, mas minha profissão inicial é ser ator. Imagino que só se destaca nesse ramo quem se dedica” diz.

Uma vez inserido no mercado de trabalho, o salário médio de um dublador está entre R$ 100 por hora dublada. A “hora dublada” é diferente da hora contada no relógio. Se, em 60 minutos, o dublador produzir quarenta cenas, o que equivale a duas horas de cenas, ele terá ganhado R$ 200 pela hora trabalhada. Em filme de cinema, por exemplo, normalmente se filma uma média de três horas dubladas em 60 minutos.

Mais sobre essa reportagem em áudio: 

“Há pelo menos dez anos o Brasil é um dos países que mais investe em importação e exportação de bens e serviços ligados à indústria criativa. Jornais já publicaram matérias sobre isso. O que acontece, hoje em dia, é que a porcentagem de pessoas com acesso à cultura do exterior é maior do que a porcentagem de pessoas que falam e entendem os idiomas originais. Logo, a necessidade da dublagem por aqui”, alega a economista Elizangela Rigonatto Cleves.

Para entender melhor como o mercado de dublagem funciona no Brasil, alguns pontos podem ser esclarecidos:

(Crédito: Vanessa Dias)

As principais informações sobre o mercado brasileiro de dublagem (Crédito: Vanessa Dias)

Assim como na atuação, pessoas de todas as idades podem dublar – de crianças a pessoas idosas. Baroli afirma que não existe voz feia ou bonita, mas perfis que se encaixam com personagens. “O estúdio pode te dar uma chance ou não, e isso nem sempre depende só do seu talento, se o seu registro está em ordem, e se a sua voz se encaixa no perfil de personagem que eles têm, por exemplo”.

Editado por Daniela Castro


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