Reportagens

Falta de tradutores de LIBRAS dificulta inclusão social

Por Laura Pompeu

Imagine nascer em um país e não saber falar a língua? Conhecer seus vizinhos mas não conseguir conversar com eles. E, chegando à escola, não entender o que seus professores dizem. Essa é a realidade do surdo brasileiro que, com a crescente falta de intérpretes de LIBRAS no mercado gera uma demanda que demora a ser suprida.

“A falta de tradutores está mais aparente porque as pessoas com deficiência auditiva estão cada vez mais visíveis socialmente.” Conta Josie Ananias que é tradutora na prefeitura de Campinas. Segundo o último Censo cerca de 9,7 milhões de brasileiros são deficientes auditivos.

“Em primeiro lugar, é necessário que as famílias sejam orientadas sobre a surdez, para entenderem que não se trata de uma deficiência, embora haja o aspecto físico na questão, mas a grande limitação é a língua”, reforça Marcelo Draetta, presidente da Associação dos Surdos de Campinas (Assucamp), que conta também que depois da Educação, a área de mais dificuldade é a Saúde. “Há uma enorme dificuldade porque não há profissionais da saúde conhecedores da Libras e mesmo que haja intérprete disponível para acompanhar um surdo em uma consulta, é constrangedor para ambas as partes, além de ser recusada a presença do profissional por se violar o direito à privacidade entre o paciente e o médico.” diz ele.

Membros da Associação de Surdos de Campinas

Membros da Assucamp (esp. para dir.) Alexandre Santos, Lion Justi Sebastião, Marcos Vinícius Arruda, Lilian Ferreira, Mônica Azevedo e Marcelo Draetta/Crédito: Laura Pompeu

Tornando-se intérprete

A profissão só foi reconhecida legalmente em 2010, mas antes disso as associações de deficientes auditivos se juntavam para que fossem colocados em prática seus direitos constitucionais de inclusão social. Um dos maiores problemas com a falta de intérpretes são os que começam e depois desistem do curso, como afirma Lígia Cristina de Souza que dá aulas de LIBRAS e é intérprete desde 2010.

Ana Luiza Brunetti, formada em Línguistica, é uma das raras pessoas que buscam ser intérpretes sem ter nenhum contato com deficientes auditivos. “Eu acho que todo mundo merece ser entendido”, ela diz.

Foto: Laura Pompeu

Ana Luiza Brunetti estuda LIBRAS para se tornar intérprete/Crédito: Laura Pompeu

LIBRAS obrigatória

Uma das formas de auxiliar na inclusão desse grupo social foi o decreto 5626 de 2005, que deu até 2015 para que as universidades que oferecem os cursos de Fonoaudiologia, Pedagogia e Letras incluíssem LIBRAS no currículo de disciplinas.

Na PUC-Campinas, a disciplina deve oferecer não só um vocabulário básico para o aluno mas como ensinar sobre a cultura da LIBRAS, que é uma língua viva que também possui gírias e expressões que variam geograficamente. A diretora do curso de Letras da universidade porém, deixa bem claro: “É uma demanda criada por lei também, não tem como atender de imediato”.

Assista o vídeo com uma declaração importante de Mônica Azevedo, 1ª tesoureira da Associação dos surdos de Campinas.

“Na verdade, o surdo, a comunidade surda, é igualzinho o ouvinte. O que muda é que o surdo não ouve, e alguns não falam. O ouvinte é igualzinho. O surdo pensa, reflita, cria, inventa, várias coisas. Mas tem aquela coisa – barrada. Mas assim, o global, o mundo de hoje ainda tem que lutar muito, muito, muito. Porque? Porque ainda a sociedade não tem uma visão ampla que o surdo só ´precisa de LIBRAS, de olhar para o surdo e para a comunidade surda e ver uma pessoa normal, como você. Mas, infelizmente, não é assim que funciona. Então a gente está na luta,  e desistir? Nunca. A gente está na luta, mas pra isso, porque você não ajuda a ajudar comunidade surda para fazer união, entre o surdo e o ouvinte? Seria um prazer e eu tenho certeza que vocês vão conseguir nos ajudar. Bom, é isso.” – Mônica Azevedo,  Assucamp.

Editado por Vanessa Dias


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